9 de março de 2009

Quero, Como Um Cego, Tatear Estrelas Distraídas

Hoje eu sonhei com você, e acordei com saudades. Acordei com saudades sem saber o motivo, já que ando me esquecendo dos meus sonhos logo que acordo. Às vezes eu tento anotar rápido, antes que eles passem, mas nem disso eu ando me lembrando. Enfim, fui lembrar que sonhei com você só depois, dirigindo pra trabalhar, porque tocou uma música que você adora no rádio. E eu quase nunca escuto rádio no carro, depois que inventaram o MP3. Aí passei o dia todo sem lembrar, de novo. E na hora que eu tava voltando pra casa, a lua tava linda, branca, redonda, pregada no céu azul claro do fim do dia. Lembrei de novo. Aí eu pensei na música que tinha tocado de manhã cedo, e em tantas outras músicas que você adora, ou que eu adoro. Tive saudades do que foi, mas principalmente do que não foi, ainda que isso soe tão clichê. Talvez as pessoas tenham um papel pra cumprir na vida da gente. Talvez você tenha cumprido o seu, eu sei. Talvez tudo isso seja uma grande bobagem. Eu vou aprendendo. Mas tive vontade de ir à praia com você. Gosto da areia quente nos pés, da água salgada do mar, do espectro de cores do céu, da claridade que mal deixa a gente abrir os olhos, do barulho das ondas. Queria te contar que eu sonhei com você, mas faz tempo (ok, tempo é relativo), que nem cabe mais. É nessas horas que eu mais gosto de escrever. Porque falando aqui pro mundo, pra quem quiser saber, parece que eu tô falando com você, sabe? Alô? Mas será que você lê isso aqui? Aliás, eu já te falei do blog? Será que se você lesse, você saberia que é com você? Talvez alguém leia e pense que é com ele... Talvez outro. Talvez você. Talvez não. Melhor assim, que te conto sem me entregar. Será?

Sabe, quando acaba a tempestade e os barcos se acomodam novamente nas águas é que podemos ver os contornos. Outras navegações, as ilhas, o céu, um porto, e, ao longe, a linha do oceano. Os mapas são feitos também para saber com clareza onde não queremos chegar, onde não queremos estar. As águas agora calmas não se parecem com as mesmas a pouco revoltas. Espuma. Podemos olhar pra trás e ver o caminho percorrido, mas para frente haverá ad eternum o infinito com todas as suas possibilidades. E como são belas as duas visões. No fim, o mundo será sempre redondo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Praia lin-da!!
E na foto, um outro detalhe bastante interessante, mas esse só nós duas sabemos...

Beijo

Eduardo Arau disse...

"Eu que não sei quase nada do mar/Descobri que não sei nada de mim" (nas voz de Bethânia), claro.

"E eu fico com uma inveja brutal por não despertar esses delicados sentimentos."

Eduardo Arau disse...

"E o amor é sede, depois de se ter bem bebido".