31 de março de 2009

Kick His Butt!


Silêncio e Sons

Tudo o que pode ser imaginado pode ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo. As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas e que todas as coisas escondam uma outra coisa.

Ítalo Calvino


29 de março de 2009

She Moves In Her Own Way

Desdém


Pelos Olhos Dos Outros

Eu gosto demais do Ítalo Calvino. Amores Difíceis, Se Um Viajante Numa Noite de Inverno, O Visconde Partido Ao Meio, As Cosmicônicas, O Castelo Dos Destinos Cruzados, Seis Propostas Para O Próximo Milênio, As Cidades Invisíveis...
Ahn, as cidades invisíveis... Andria, Diomira, Isidora, Dorotéia, Zaíra, Anastirma, Isaura, Maurília, Zoé, Zenóbia...
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O Diamond Mall, um shopping daqui de BH, resolveu fazer uma campanha assim: descreve mulheres como as cidades invisíveis do Calvino. A beleza, as cores, o brilho, o encanto, e mais do que isso, o encantamento.
Nunca fui de ouvir propaganda em rádio, mas as do Diamond eu faço questão, só esperando pra ver se eles vão descrever Ana. (Sou vaidosa sim...)
E mesmo sabendo que quem escreveu as descrições pensou em atrair o público (feminino) pro shopping, e não necessariamente em uma musa inspiradora com aquele nome, fico imaginando as mulheres que despertaram tais palavras, e o que teria despertado se ele (a) fosse descrever Ana ao invés de Clarice ou Joana.
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E aí me lembrei de como um dia fui (d) escrita por alguém:
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É assim que te vejo. Mulher feita, sem perder o viço da adolescência. Sexy, irresponsavelmente feliz – posto que muito responsável, cativante, linda.
Você tem cheiro de flor. A perfeição, pureza e inocência da flor. E no entanto não é flor. É mulher.
Quem me dera ter por perto toda manhã o brilho que você irradia, desde a hora que acorda, fazendo concorrência, das mais desleais, com o sol. Esse brilho que perdura, por todo o dia, traz tanta gente pra perto de ti, verdadeira legião de apaixonados.
Você tem o nome mais singelo do mundo: Ana. Só Ana. Simples, forte, completo. Um nome que te cabe e te compreende.

28 de março de 2009

Entressafra

Tem chovido...
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... menos na minha horta!

Eugênio Cota, sempre repetido com muito bom humor pela figura que é minha irmã

26 de março de 2009

Quem Herda Não Rouba

Teve uma festa dentro dele. E pra ele eu faço festa dentro e fora de mim!



Felicidade se acha é em horinhas de descuido
Guimarães Rosa

25 de março de 2009

24 de março de 2009

I Don't Care If It Hurts

muito estranho
Sempre achei egoísmo. Pensava, sempre de longe, e sempre, sempre achei muito egoísmo. Saltar do trem antes de chegar na estação. Simplesmente desistir. Simplesmente é pra quem fica no trem. Simples é só na nossa cabeça. Tudo de fora poderia ser tão mais simples. Egoísmo sempre achei porque acaba com o próprio sofrimento mas causa um enorme em tantos outros. Sofrimento de quem não está preparado, pois inverte a ordem natural das coisas. Ou melhor, interfere. Muda. Em segundos, todos buscam sinais, motivos, palavras, olhares e soluços. Não, não tem. Ou talvez tenha tido. Conhecia pouco pra falar. Mas foi o mais perto que vi. E vi que julgamos muito. Eu julgo muito. Não se sabe a pessoa. Nunca se sabe por completo. As escolhas que fazemos vem de nós e os motivos nem sempre são revelados. Depende de nós. Egoísmo não acho mais. Acho estranho. Muito estranho. Difícil entender e cair a ficha. Não caiu. (lu_menininha)

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É, Lulu. Tem certas coisas que realmente não foram feitas pra ser entendidas. E estas, normalmente, são as mais difíceis de serem vividas. São complexas demais pra serem simplesmente sentidas. Mas são. E só. Não há julgamentos. Não há como existir julgamento algum. Também não há sinais. E quem somos nós pra saber se havia ou não motivos? Há uma escolha, que não é nossa, e nós é que aprendamos a conviver com ela. Ou no mínimo respeitá-la. Para nós, que escolhemos sempre viver, em cores, em dores, felizes ainda que na tristeza algumas vezes ou saltitantes de pura alegria outras tantas, não pode haver mesmo razão maior que justifique. Há a vida, e ela é mesmo pra ser vivida. E pra quem escolhe ir embora antes do final da festa, tomara que a gente consiga dizer tchau, na certeza de que pra ele a festa continua, mesmo distante...

23 de março de 2009

20 de março de 2009

De Sol A Sol

Quando eu tiver meu filhos, vou fazer igualzinho, e com a mesma música de fundo.

Mais um vídeo roubado da Cris Guerra.

19 de março de 2009

Eu Fico Com A Pureza Das Respostas Das Crianças

Eu adoro ir ao cinema. E tinha tempos que eu não ia. (Pra quem costumava ir ao cinema toda semana, às vezes mais de uma vez, tempos é quase uma eternidade.)
Eu gosto muito de ir ao cinema sozinha. Tem filmes que ninguém mais gosta de ver, só eu. Tem horas que não tenho companhia. Tem horas que não quero companhia. Tem horas que sou minha melhor companhia. Tem horas que não dá tempo de ligar pra ninguém. Tem horas que só me encontro no cinema.
Mas também gosto muito quando vou ao cinema com alguém. Adoro quando me convidam pra ir ao cinema e eu não faço idéia de que o filme trata, e vou sem a menor expectativa.
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Hoje uma amiga querida e sumida (ok, ninguém some sozinho) me convidou pra assistir "O Menino do Pijama Listrado".
Confesso que já tinha ouvido falar dele, mas tinham passado batidos todos os artigos, resenhas, críticas ou notícias que vi sobre o filme, e cheguei lá sem saber absolutamente nada sobre esse tal desse menino do pijama listrado.
Levei um soco no estômago. Saí de lá engasgada.
Eu não choro em novela das seis, mas choro em desenho animado, propaganda de celular, eliminação de Big Brother e Lar Doce Lar do Luciano Huck. E não desceu uma lágrima enquanto eu assistia o menino de pijama listrado. Não desceu uma lágrima, mas eu me senti muito mal. Muitíssimo mal. Deu enjôo mesmo, aperto no peito, coração disparado na garganta.
Saí do cinema, entrei no carro, nem lembrei de ligar o som, coisa que eu faço automaticamente. Fui embora pra casa dirigindo e pensando, dirigindo e pensando. Tenho feito muito isso ultimamente, aliás. Trabalhar em Venda Nova me rende uns bons quase 50km por dia de trânsito ruim. Pensei em Kamchatka, pensei em Machuca, pensei nO Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, pensei nO Menino do Pijama Listrado. Pensei em como todos estes filmes são parecidos por mostrarem o horror da guerra, do holocausto, da ditadura sob o olhar inocente das crianças. Todos eles mostram de alguma forma a maneira como estas crianças passam por situações de ódio e intolerância, de um lado ou de outro. Mostram o desconforto e o desconserto dos adultos em dar respostas às perguntas curiosas e inquietas de quem descobre o mundo e, mais do que isso, acredita nele. Mostram a dualidade entre o que os adultos explicam e o que as crianças vêem, e sentem. Pensei em como nos comove ver as coisas por este ângulo. Pensei nas pessoas que morreram (e morrem ainda hoje) sem razão. Pensei nas crianças que foram (e são ainda hoje) doutrinadas nesta intolerância e neste ódio. Pensei no preço alto que os adultos, culpados ou não (e até aonde vai a culpa?), pagaram (e pagam até hoje). Pensei nas crianças, estas sim, inocentes, que também pagaram (e continuam pagando) a conta maior deste horror. Pensei no que será que faz com que uns nasçam em famílias comunistas, judias, nazistas, fascistas, alemãs, norte-americanas, iraquianas, africanas, brasileiras, nas mansões ou nos barracos das favelas. Agradeci por ter nascido essa Ana, do jeitinho que eu sou, com tudo o que tenho, pai, mãe, irmãs, avós, tios, primos, amigos, escola, cinema, livro, teatro, música, computador, emprego, carro, viagem pra europa ou pra praia, mas mais ainda com tudo o que eu vivo, tudo o que eu penso e tudo o que eu sinto (ou posso viver, pensar e sentir).
Liguei o som do carro. Não era hora pra música. Ali só cabia o silêncio. Um ruído ou outro do carro, uma buzina ou outra do trânsito. No máximo. E ali, sozinha, no silêncio, chorei como menino pequeno.

18 de março de 2009

Oito ou Oitenta

Na Tim, anos atrás (com meu pai, 32 anos mais velho que eu, titular da conta na época):
- Ei, eu vim trocar meu aparelho.
- Pois não.
- Posso aproveitar e passar o telefone pro meu nome de uma vez? É que a linha tá no nome dele, e aí eu não posso resolver as coisas sozinha.
- Pode, claro, desde que você esteja com a certidão de casamento aqui.
- O nome dele na minha carteira de identidade no campo "filiação"serve?
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No aeroporto, meses atrás (a próxima da lista de espera de um vôo com overbooking):
- Senhorita Ana, vagou um lugar, mas tem um problema: é junto à saída de emergência, e só posso acomodar neste assento maiores de dezoito anos. A senhorita já tem dezoito anos?
- Tenho vinte e sete.

17 de março de 2009

Pra Quem Eu Conheço (bem)

Tá bem, eu admito, sou brava mesmo. Nasci assim. Acho que ao longo dos anos fui aprendendo a ser mais tolerante, mais flexível, mais tranquila, mas continuo batendo o pé quando precisa (ou quando eu acho que precisa).
Quando eu tinha uns três anos, minha mãe foi a uma palestra de um amigo dela. Na hora de buscá-la, meu pai me levou com ele. Enquanto esperávamos minha mãe arrematar uma conversa (e minha irmã diz que quando ela arremata uma conversa, começa outra), encontrei num cantinho da sala o aparelho de som, com todos os seus botões, bem na mira dos meus dedinhos curiosos. O palestrante amigo da mamãe veio e falou sério: "Não mexa". Bastou pra eu encará-lo com as mãozinhas na cintura, o olhar fulminante e a boca em bico, desafiadora. Nesta ocasião, ele falou pra minha mãe (longe de mim) - "Essa aí vai te dar trabalho". Na mesma época, meu pai me levou um dia pra tomar uma vacina. Era uma agulhadazinha no bumbum. Cheguei lá, deitei de bruços no colo do meu pai e a moça explicou: "Vai doer um pouquinho, você vai sentir uma picadinha, como se fosse uma formiguinha". Respirei fundo, com o mesmo olhar desafiador e a tromba amarrada, e não disse um "ai". Se for pra doer, ok, eu aguento. Se fazia arte e levava bronca, também não perdia a pose.
Tenho dois ex-namorados que diziam que eu era muito brava. E outros dois que não acreditavam quando eu dizia que às vezes eu era meio bravinha. Tenho um colega de trabalho que diz que eu não tenho noção do tanto que sou brava. Mas ao mesmo tempo sou a mais brincalhona e carinhosa que existe. É porque além de brava, eu sou muito, muito doce. Sou muito carinhosa mesmo, chorona, sensível. Se for pra brigar, enfrento. Mas se for pra amolecer, ahn... Aí já era...
Acho que neste ponto eu pareço bem com meu pai, leoazinha, leãozinho, fera, feroz, mas dócil, gatinho ronronando querendo um chamego. O olhar incisivo e o jeito de falar curto e grosso (só quando me dão motivo - que fique bem claro), mas o abraço sempre apertado pra cumprimentar ou despedir, o beijo de boa noite, os cartões decorados cheios de poemas, a vozinha mansa e os agrados fora de hora só pra receber um sorriso de volta.
Deve ser por isso que mesmo brava e teimosa, cabeça dura e cheia de mim, eu fico com o coração apertadinho e a cabeça preocupada quando brigo com alguém - o que é raro - mesmo quando tenho certeza de que tenho a razão (é, nem sempre isso acontece, eu erro também). E como orgulho não é verbete do meu dicionário, do mesmo jeito que não tenho problema algum em pedir desculpas quando reconheço que errei, também não hesito em ser a primeira a ligar mesmo quando estou certa, empunhar a bandeira branca e dizer: "Olha, tudo bem, eu fiquei chateada, não concordo com você, acho que você pisou na bola, você exagerou, mas isso tudo é uma bobagem, é tão pequeno, não tente me convencer que o erro foi meu, mas também não vou tentar te convencer do contrário, vamos esquecer tudo isso e pronto? Paz?"
Hoje não deu. Ficou tarde. Mas amanhã sem falta eu ligo. Porque eu já aprendi um bocado de coisas mesmo. Mas ainda tem um monte pr'eu aprender.

16 de março de 2009

Pra Quem Eu (não) Conheço

Post-resposta, post-comentário, post-obrigada-pela-visita, post-lembrei-de-você-sem-nem-te-conhecer

Pra Marcela

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Pro Edu (Araújo)

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Pro Victor
"Verdade maior é que se está sempre num balanço!Mire!, o vento das nuvens desmanchou Rosalina. E agora, Romeu já é um gosto bom, ficado nos olhos de Julieta. E Julieta, uma lua recolhida, que no peito de Romeu aumenta de ser mais linda. A ambos o amor coloca no seu mais topo: a Romeu, mar sem fim, até ancorar-se no porto Julieta. Mas, não é amor!, pasto que se divulga sem fechos. Amor preso, range na boca, tem vontade de fim, e quer céu...! Por isto, ele é o que leva tudo no avanço; para traçar nesta praça, o mar, do abraço das asas, de todos os pássaros!"

Grupo Galpão - Romeu e Julieta
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Pro Lucas


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Pro Edu (Santinon)

15 de março de 2009

Muito Mais! Não Tem Jeito...

Essa vai pra minha amiga querida que mudou pra Áustria pra sempre, me ligou hoje e fez meu dia mais alegre, como a risada alta e espontânea que ela tem. Não vou falar de saudade, já que a gente sabe que ela existe e tá aqui mesmo, e que a distância potencializa essa saudade. Melhor falar de amor, que a gente também sabe que existe e que tá aqui, mas que é muito mais cheio. Então essa é pra minha amiga que parecia estar aqui do lado no telefone, que nasceu pra ser amor e nasceu pra voar alto, escolheu alçar outros vôos, cada vez mais altos, preferiu ser o avião ao aeroporto. Preferiu estar em movimento a ser estática. E as mesmas asas que a levam por mundos desconhecidos, que a carregam em vôos altos, que alimentam sua imaginação, muitas vezes a separam das pessoas que ela ama e daqueles que a amam. Mas a gente sabe que ela não deixa de amar ninguém por isso. E mais importante: é assim que ela é feliz - voando mesmo bem alto. E aí mesmo longe a gente consegue amá-la ainda mais. Na sua ausência tem sempre a sua presença, solta, dispersa, em forma de vento. É como o ar. Ninguém vê, ninguém pega, ninguém prende, mas todo mundo respira.

Com algumas palavrinhas roubadas da Ju Morais

14 de março de 2009

Sendo Salgado, Gelado ou Azul

Mar querido,
Pode mesmo dar pulos de alegria: vou matar as saudades suas mais cedo do que pensávamos! Achei que depois desta última só estaria de novo com você no final do ano, e olhe lá! Mas se prepare - já, já estou aí!
Beijos,
Ana

Sussurro Sem Som Onde A Gente Se Lembra Do Que Nunca Soube


13 de março de 2009

12 de março de 2009

10 de março de 2009

Casamentos!

Carlinha e Casé



Giza e Mocha

Lara, Ana e Quem Mais Chegar

Tá, eu sei, eu passei batom de caneta rosa na boca da gente mesmo... (tomara que o papai ainda tenha o negativo pra reparar o mal-feito)



9 de março de 2009

Quero, Como Um Cego, Tatear Estrelas Distraídas

Hoje eu sonhei com você, e acordei com saudades. Acordei com saudades sem saber o motivo, já que ando me esquecendo dos meus sonhos logo que acordo. Às vezes eu tento anotar rápido, antes que eles passem, mas nem disso eu ando me lembrando. Enfim, fui lembrar que sonhei com você só depois, dirigindo pra trabalhar, porque tocou uma música que você adora no rádio. E eu quase nunca escuto rádio no carro, depois que inventaram o MP3. Aí passei o dia todo sem lembrar, de novo. E na hora que eu tava voltando pra casa, a lua tava linda, branca, redonda, pregada no céu azul claro do fim do dia. Lembrei de novo. Aí eu pensei na música que tinha tocado de manhã cedo, e em tantas outras músicas que você adora, ou que eu adoro. Tive saudades do que foi, mas principalmente do que não foi, ainda que isso soe tão clichê. Talvez as pessoas tenham um papel pra cumprir na vida da gente. Talvez você tenha cumprido o seu, eu sei. Talvez tudo isso seja uma grande bobagem. Eu vou aprendendo. Mas tive vontade de ir à praia com você. Gosto da areia quente nos pés, da água salgada do mar, do espectro de cores do céu, da claridade que mal deixa a gente abrir os olhos, do barulho das ondas. Queria te contar que eu sonhei com você, mas faz tempo (ok, tempo é relativo), que nem cabe mais. É nessas horas que eu mais gosto de escrever. Porque falando aqui pro mundo, pra quem quiser saber, parece que eu tô falando com você, sabe? Alô? Mas será que você lê isso aqui? Aliás, eu já te falei do blog? Será que se você lesse, você saberia que é com você? Talvez alguém leia e pense que é com ele... Talvez outro. Talvez você. Talvez não. Melhor assim, que te conto sem me entregar. Será?

Sabe, quando acaba a tempestade e os barcos se acomodam novamente nas águas é que podemos ver os contornos. Outras navegações, as ilhas, o céu, um porto, e, ao longe, a linha do oceano. Os mapas são feitos também para saber com clareza onde não queremos chegar, onde não queremos estar. As águas agora calmas não se parecem com as mesmas a pouco revoltas. Espuma. Podemos olhar pra trás e ver o caminho percorrido, mas para frente haverá ad eternum o infinito com todas as suas possibilidades. E como são belas as duas visões. No fim, o mundo será sempre redondo.

6 de março de 2009

Outro Mais

Mais um roubo. Este não foi exatamente de um post, não foi de um blog, mas de um e-mail. Recebi hoje de manhã, e na minha ronda diária pelos blogs que eu adoro, vi que o Fernando Lara escreveu sobre o mesmo assunto. Como eu ando com vontade de escrever, mas pouco inspirada, resolvi roubar o e-mail e transformá-lo em post. O texto é do Cristiano Dias, que não é dono de blog algum, mas ainda assim não se livrou dos meus furtos.
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Tem coisa q ñ dá pra deixar passar...
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Para quem não acompanhou, a Igreja Católica decidiu excomungar todos os envolvidos no aborto realizado em uma menina de nove anos, em Pernambuco.
A menina, repita-se, de nove anos, vinha sendo estuprada regularmente por seu padastro, desde os seis anos de idade. Acabou grávida de gêmeos.Escusado dizer sobre os riscos envolvidos na gravidez de uma criança sem estrutura física para suportar toda a demanda do período (psíquica, então, esquece...).
A mãe da criança grávida decide pelo aborto, respaldada na exceção legal que o permite em situações tais. Os médicos interrompem a gravidez. Alívio, fim de um drama, vida que segue? Não, pois Deus não perdoa. Ao menos, segundo a Igreja.
O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, mesmo antes da efetivação do aborto, já declarava a oposição da instituição religiosa. Seus argumentos seriam trágicos, se não fossem ridículos. Segue a citação, para se ter uma idéia da densidade do raciocínio do pároco:
- A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor.
Resultado: a Igreja excomungou todos os envolvidos no aborto: mãe, parentes, médicos. A criança, não, pois a Igreja, ainda segundo o arcebispo, é muito benévola. Duvidam? Saboreiem, então, um pouco mais da sapiência clerical:
- Para incorrer nessa penalidade eclesiástica, é preciso maioridade. A Igreja, então, é muito benévola, quer dizer, sobretudo, com as pessoas de menor. Agora os adultos, quem aprovou, quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender.
É até difícil argumentar contra raciocínios tão rasteiros. O melhor a fazer, talvez, seja observar os contornos da punição: a Igreja não lista, nome por nome, os atingidos. Estarão as enfermeiras também excomungadas? Mesmo aquela que só trocou o soro da criança internada? Estarão todos proibidos de rezar à noite, na solidão de seus quartos?
Vá lá que, para muitos de nós, um pouco mais arejados, excomunhão e nada é a mesma coisa. Mas, no nordeste, ou em qualquer lugar do país, sendo a família menos esclarecida, qual será a repercussão social (e mesmo pessoal) da medida?
A coisa piora, contudo, quando nos esquecemos desses contornos e nos centramos no fato da excomunhão em si. A Igreja está a se opor ao fim (ou ao alívio) do sofrimento de uma família, já bastante machucada pelos fatos em si (uma mulher que descobre que seu marido está estuprando sua filha de apenas nove anos, gerando, desse crime, uma gravidez de todo indesejada).
Não estou a defender o aborto (discussão que mereceria outros emails), mas sim a atacar a absoluta falta de sensibilidade de quem se espera, sobretudo, solidariedade, humanidade, compreensão. Atributos cristãos que passam, hoje, longe da Igreja católica.
A Igreja não perdeu apenas uma boa oportunidade de ficar calada. Perdeu mesmo foi o trem da história; na defesa intransigente de seus dogmas, foi ficando ridícula, desumana, pequena. Cada dia mais, insignificante.
Enfim, como dito ali no início, tem coisa que não dá pra deixar passar. O trágico da história é ouvir o alegado representante de deus na Terra dizer esperar que os envolvidos não esperem a hora da morte para se arrepender. Pois não devemos jamais esperar arrependimento por parte da Igreja, que, como sabemos ao longo da história, não erra.

5 de março de 2009

Acho Espantoso Viver, Acumular Memórias, Afetos

O Edu já roubou um post meu (ok, roubou 1/2 post - o resto era o próprio comentário dele). Roubou com tanta delicadeza e bom humor, que eu adorei. É, eu sou vaidosa... E gosto de encontrar pessoas que às vezes, pelo menos um pouquinho, sentem como eu, pensam como eu. Ou que enxergam (nem sempre com os olhos) as coisas que eu penso e sinto, ainda que dentro delas as coisas aconteçam de outra maneira.

Hoje tinha um post novo da Laura. Adoro os posts novos da Laura, principalmente quando me enxergo neles. Este eu resolvi roubar.

O que nem sempre se mostra

Parece que o calor insuportável que nos assola tem causado uma criatividade não só em mim, mas em todas as leitoras que também não deram seus pitacos sobre o tema para o próximo post.
Eis que, no meio da tarde de hoje, me surge um comentário ótimo (infelizmente anônimo), mas um tanto enigmático:
"[...]Como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra” (Limite branco, Caio Fernando de Abreu)
Então é isso.
Momento vergonha própria: Nunca li Caio Fernando de Abreu a não ser em pequenas passagens que vislumbro em outros blogs pela internet (está ai Paulinha -www.sweetestperson.wordpress.com que sempre me presenteia com seus trechinhos), mas acho que, não é só emoções que há. Há, sobretudo, expectativas, vontades de moldar os desejos/sonhos/vontades do outro na medida das nossas.
Há o que somos e o que não mostramos.
Pode ser barango e a última coisa que eu queria era embarangar o trecho do Caio Fernando, mas é como diria (ou cantaria) Lulu Santos:


A música ai não é chique, não é cool, não é descolada. Só que eu não exijo nada disso de uma música. Aliás, quero apenas que ela fale diretamente ao meu coração.
Aliás, tenho essa mania. De ouvir músicas e falar:
- Nossa, eu amo essa música. Eu amo esta também. E essa!
Meu pai já reclamou: e qual você não ama?
Eu amo as letras, antes de tudo, porque acabo me identificando e pensando: então eu, com todas as minhas dúvidas e aflições, sou completamente normal?
Voltando ao Lulu Santos, esta música já embalou muitas reflexões da minha vida. Um amor tão grande, mas tão grande, uma paixão tão louca e desenfreada, que não pode ser dita senão com olhares. E com não dizeres. Em que o outro não te dá trela, não te dá pistas, não te dá retorno. Não, ele não responde seus emails, não retorna suas ligações, mas te olha. E isso, às vezes basta.
Desculpe-me, Caio Fernando, mas o que somos, uma hora se mostra. Num escape qualquer, a gente se mostra. Talvez não pelo dito, pelo berrado. Mas pelo que sugerimos, pelo que contemos e que represamos.
Um abraço que vale por mil beijos.
Um encontro de olhares no meio de uma multidão.
Cada um com seu acompanhante, sabendo que não há esperanças de que aquele sentimento um dia se consume, muito embora consuma suas noites de sono.
Conheço muitas pessoas que vivem grandes amores platônicos. Por motivos vários. Pode até parecer fraqueza. Pois que seja fraqueza então.
Fraqueza de sair de um relacionamento de anos, com uma mão na frente e outra atrás. Fraqueza de não querer ouvir um não como resposta. Fraqueza de correr o risco.
Pode não ser fraqueza também. Pode ser força de ponderar consequências e inconsequências. De pesar o valor das coisas, o risco das atitudes impensadas.
Suspiro.
Desculpem-me bonitonas, mas acho que algumas coisas escritas são tão acertadas, que tudo o que eu disser será superficial. Acho que preciso mesmo ler Caio Fernando.



Aproveito também pra roubar um outro post, de outro blog que eu adoro: Para Francisco, da Cris Guerra.