
Minha paixão por Los Hermanos começou depois da Anna Júlia, mas antes de Primavera. E isso tem mais de 10 anos. Foi ainda com o Los Hermanos mesmo, em que as músicas eram mais pesadas, mas tinham um quê de samba, e falavam de amor e poesia. Do Pierrot e da Colombina, de Lágrimas Sofridas, e da dor de ter e perder alguém (Quem Sabe).
Depois veio o Bloco do Eu Sozinho. Lembro que achei curioso e instigante a idéia de que eles haviam passado 2 meses num sítio, enfurnados, confinados, sem comunicação com o que fosse de fora, pra gerar o novo trabalho. E que depois do sucesso do primeiro disco, acabou saindo como uma produção independente. Porque eles contrariaram as expectativas. E o disco, pra mim, a princípio, era como o circo, como o palhaço: lágrima e riso, alegre e triste. Machinha de Carnaval com Cortejo Fúnebre. Quarta-feira de cinzas. Talvez por Todo Carnaval Tem seu Fim, que é bem por aí. Mas depois eu vi que não dá pra escolher uma preferida neste disco, e nem pra não gostar de alguma... Sentimental, Retrato pra Iaiá, A Flor, Veja Bem Meu Bem, Adeus Você, Casa Pré-Fabricada... Foi nessa época que eu comecei a preferir o Amarante: num show no Pop Rock Café, em plena terça-feira, meio lado B. Ele não parava: era guitarra, baixo, tamborim, jogava a baqueta pra cima, dançava sozinho, brincava, numa hiperatividade gostosa e contagiante. Se divertia, e isso me divertia também. Ele realmente estava ali porque queria, e realmente estava gostando do que estava fazendo. Daí em diante, mesmo sem perceber, eu acabava gostando mais das músicas dele que das do Marcelo Camelo, ainda que eu também amasse as do Camelo. E O Bloco do Eu Sozinho foi a trilha favorita nos meus dias na Itália.
Depois veio o Ventura. A expectativa era grande. E mais uma vez, a música, os arranjos e a poesia eram de uma sensibilidade e uma delicadeza de emocionar. E foram assim os shows desta turnê: uma lua cheia iluminada no cenário, o coro da platéia, o envolvimento dos músicos, a estridência da voz esgoelada que desfiava as músicas de cor, e as lágrimas descendo pelas bochechas. Samba a Dois, Último Romance, Além do Que se Vê, Do Lado de Dentro, Um Par, De Onde vem a Calma... Transe hipnótico.
Depois veio 4. E mais uma vez, ele, o Amarante. Paquetá, Condiconal, O Vento... E outras também do Camelo. Pois é, Morena, Os Pássaros, Fez-se Mar, Sapato Novo... Mais melancólico, talvez, mas lindo, lindo, gostoso de ouvir. E depois... Depois um ou outro show do Amarante na Orquestra Imperial e a notícia do fim da banda, com promessas de carreiras solo ou carreiras separadas. Ponto.
E aí, veio o Sou, do Camelo. De primeira, achei bonita a sutileza do nome do disco: sou. De cabeça pra baixo, é nós, e o sou vem escrito com um pinguinho caindo do o, pra isso mesmo. Mas as músicas... Ahn... A princípio só tinha conseguido ouvir umas duas faixas até o final. Achei as outras chatas. Depois vi que era puro preconceito. Talvez pela participação da Mallu Magalhães (preconceito mesmo, uma certa antipatia gratuita de meninos-prodígio). Talvez pela falta do Amarante ao lado. Mas o disco é ótimo! Não é pra ser ouvido a qualquer hora, é preciso calma. Respiro. Poesia. Não entendo de música a ponto de querer ser crítica de alguma coisa, só sei dizer do que me toca ou não me toca, do que gosto ou não gosto, do que me instiga ou não, me emociona ou não, me envolve ou não. E no fim das contas, ele me fez querer ouvir de novo. E de novo. E de novo. Me fez querer cantar. Me fez querer dançar. E o release do disco, escrito pelo irmão dele, é harmonioso e doce.
Mas... E o Amarante???