Passei o dia de hoje inteiro ouvindo Kings of Convenience. Todas as músicas, algumas delas várias vezes repetidas. E foi como ler Caio Fernando ou Clarice. Me aquieta e acalma. É paz e vontade de viver, é alegria imensa, mesmo em dia tristes. É dia de sol, mesmo que chova. É F-E-L-I-C-I-D-A-D-E, assim, com todas as letras bem em maíusculas. Sem razão, só por estar aqui, caminhando - ou correndo, a cada passo, mesmo que às vezes aos tropeços.
Cheguei aqui no final da tarde e postei uma, a que reverberou mais forte durante o dia. A que me disse mais coisas, talvez, hoje mesmo.
Agora, passeando pelos blogs de sempre, que estão sempre mesmo de alguma forma aqui no meio de mim, dou de cara com este vídeo.
É, eu também quero morar neste vídeo.
É música alegre e deliciosa, soundtrack de um clip mais alegre e delicioso ainda, mesmo com um refrão tão triste e melancólico. Talvez seja mesmo como a vida - e como isto soa piegas!
Vontade de viajar e ver o mar bem grande, bem bonito, bem quente, bem de pertinho.
Calma, tá chegando, mas tem que esperar um pouquinho.
Eu disse que você ia embora só para voltar de novo. Eu disse que um dia íamos conversar sobre como as mulheres são problemáticas e discutir porque acho as morenas mais interessantes que a loiras. E você não. E sem ciúmes, sem pontadinha no peito nem nada.
Eu disse tanta coisa melhor do que "suma" ou "você é estúpida".
Eu disse que sentia falta de voltar do sítio depois de um dia de sol, ouvindo Maria Rita. E, olha, você também.
Eu disse que sentia falta de passear com nossos cachorros e você sentiu mais falta do meu cachorro do que de mim.
Eu disse que peguei no telefone diversas vezes esses anos todos para te ligar e você falou o mesmo.
Eu disse que você é sagrada para mim como poucas coisas o são. Eu disse que aprendi a viver sem você por pura obrigação mas não por escolha.
Eu disse tanta mentira também.
E eu disse coisas que hoje são verdade.
Texto roubado daqui, foto roubada daqui. Mais um roubo, porque tem coisas que eu vejo e que eu queria que todo mundo visse, mesmo sem me identificar com elas. Com algumas dá pra fazer isso, com outras não. Quando dá, eu me esbaldo!
Eu sou arquiteta, mas trabalho mais como engenheira de obras. Não deixo de fazer meus projetinhos por fora, não deixo de fazer projetos, detalhes e alterações nos projetos da construtora, não deixo de fazer estudos e croquis. Mas na prática, sou mesmo mais engenheira que arquiteta.
Não vou negar que às vezes sinto falta dos fluxos criativos, das viagens, das formas e cores, das tentativas e desenrolares de traços, do desenvolvimento das idéias e da sua transposição pro computador ou pro papel, de traduzir sonhos e desejos em forma de casa, prédio, escola, museu, loja. Brinco que o blog é até uma forma de dar vazão a este fluxo criativo às vezes sufocado, a maneira que encontro de deixar a arte permear meus dias, de outras formas, e de algumas vezes reencontrar a arquitetura. Não que eu a tenha perdido. Mas os dias me mostram-na de outras maneiras.
Não é raro alguém me perguntar como eu vim parar aqui. Como assim a arquitetura deu lugar à engenharia? E na verdade, ninguém deu lugar a ninguém, elas andam juntas. Arquitetura, a princípio, pra todo mundo, é projeto. Projeto, projeto, projeto. E aí, normalmente, quando a gente forma na faculdade de arquitetura, vai pra algum escritório ou empresa desenhar, desenvolver, detalhar e coordenar projeto dos outros. E isso eu sabia bem que não queria. Achava pouco. A arquitetura anda, de alguma forma, corrompida. Nessa correria dos projetos cotidianos, embora a criatividade seja sempre necessária, a arte talvez tenha se perdido. Até porque, na nossa cultura, ela não é valorizada como deveria.
Então comecei a buscar outras formas de arquitetura. Sempre pensei muito em cenografia. A arquitetura com as cores, a música, os sons, as luzes e o movimento das peças de teatro e de dança. Até hoje eu penso. Mas me apaixonei mesmo por patrimônio histórico. A minha relação com o patrimônio histórico vem muito deste fascínio pela arquitetura, pela arte, pela forma como as duas estão tão interligadas, pela evolução das duas no tempo, pela história, e mais do que isso, pelas pessoas, e pela forma com que a arquitetura e a arte influenciam a vida e o modo de viver e pensar das pessoas, das comunidades, da sociedade. E eu adoro pessoas.
Então comecei na construtora coordenando obras de restauração, de patrimônio histórico, paixão que eu tenho desde antes de ir morar na Itália, e potencializada lá. Sempre meio entrona, atrevida e curiosa, acabei conhecendo de obra, de administração de obra, pedreiro, servente, carpinteiro, bombeiro, eletricista, armador, encarregado, mestre, material, suprimento, orçamento, custo, medição, carta e contrato, subempreiteiro, fiscal e cliente. E das obras de restauração, acabei indo pras obras todas.
E obra também é muito bom, porque é onde você vê as coisas acontecendo. Você vê o que o esforço de um monte de gente junta, de idades, habilidades, humores e origens diferentes é capaz de construir. Você vê as coisas serem, literalmente, construídas, e faz parte disso.
Hoje eu faço uma maternidade. É, não tem o mesmo fascínio do patrimônio histórico, mas é gostoso também. Muito pelas pessoas. E por poder dizer pros meus meninos, olha, já pensou um dia você falar pro seu filho que ele nasceu na maternidade que o papai construiu? Porque as coisas, arquitetura, engenharia, arte, patrimônio histórico, obra, projeto, sonho, construção, poesia, precisam de um significado. Assim como as pessoas.
Ah, não queres me ver partir. Teu desejo é tão óbvio, tão pleno. E perigoso. Perigoso porque faço planos, sabes? Planos pra mim, pra ti, pra nós. Cantarei teu desejo, com Beethoven insistente ao fundo, repetindo e repetindo seu viés de sons. Cantarei como cantaria Hilda Hilst, em sua Casa do Sol. Cantarei como cantam as fogueiras nas noites da montanha, cantarei como cantavam as magas, os profetas, os deuses e você. Que minha água transforme-se em vinho, que a ausência se torne presença, que meu corpo seja consumido por esse desejo velado, que tu sejas, que eu seja. E o desejo fez-se boca e a solidão fez-se vida e tu tornou-se eu e eu tornei-me o que tu és, na crônica dos nossos dias. Te vi. Rosa era a minha estada. Te vi, enquanto ensinava os teus. Te vi, simplesmente por te ver. Te ouvir. No vão das horas que não são minhas, nas horas que são de outras, nas horas em que tu estavas lá, junto dos teus. Te vi. O que dizem os olhos castanhos enquanto se espremem entre os cílios das portas da tua alma? Me inspira. Escrevo pra ti. Te observo. Parto e te levo, te vejo nascer de minhas entranhas, de novo. Te crio e recrio. E falo, falo, falo. Te ponho entre minhas paredes. Agora és meu. O corpo frio já se aquece, a respiração é ofegante, os poros expelem o orvalho doce em gotas de calor. Deixe-me te ter nos meus planos. deixe nascer as velhasmudas. O colchão será nossa casa, teu abraço minha morada, tu, meu café e jantar. Vejo cores e sons e odores. Vejo os dias que se foram. Acordo de madrugada. Te chamo. Ouves? É claro que não. Procuro a tua voz nos bares, te tateio nas dobras das portas, nos buracos das fechaduras, como Nelson Rodrigues, espião das moças e dos homicídios, nas páginas policiais dos jornais diários. E tu és o fulano que não se abala. És altivo, em tua casa bem montada. Tens o que precisa, dentro e fora. Sequer me ouve. Sequer me lê. Sequer me vê. E por que deverias? Teus livros e teorias, as pernas e as donas, o cachorro que te lambe, o amigo que te visita, o ordenado que te mantém. Ah, por que deverias? Mas já te vi enrubecer. Sim, abrasado em rumores de um desejo que tornou-se vontade, ato e destino. Da minha semiótica, fez-se o convés. Mas disso não te lembras enquanto passa. Mas disso faz questão de esquecer quando lhe convém. Espero pelo beijo, ele não vem. Espero por ti, menos ainda. Ai de quem expor tua vida de aparências, tua fama de bom moço, de genro dedicado. Transeunte de uma vida de bocejos, desperte. Se teus paradigmas produzem sentido, produza sentido em mim. Vês, teu discurso não convence. Tuas frases fei(t)as, tuas propostas indecentes. Vês, experimento as paixões e o ódio, a raiva de me ver imune aos teus delírios. Vês, teu silêncio me perturba, me subestima. Vês... Minha boca tenta me convencer do contrário daquilo que minha alma já tem como sabido, que eu te amo e que já é tarde demais para procurar verbos e predicados avessos ao deleite que tu és, sujeito da crônica dos meus, dos nossos dias. E o que diriam as cartomantes? És meu cavaleiro de paus, espadas ou de ouros? Ah, mas tua figura não é pano para boleros, não é tema para prosas tristes. Tu não és carne de divã, como eu. Teu palco é outro e lá é aplaudido em tempos reais, tua platéia até comparece. E não é só porque te vi que tenho o direito de tê-lo. Disparate! Esqueçamos os planos, nos detemos aos fatos: meu teatro vivo faliu e o palhaço desiludido volta para a alcova, sem cavaleiro, palco, platéia ou amor. E a maquiagem barata escorre, pela desconjugação dos nossos mundos, dos nossos tempos desencontrados. Estou no reduto dos falidos. Pra onde foi o meu juízo? Foi beber com os rapazes lá no bar. Quem sabe o conhaque disfarce o teu cheiro que ficou em mim. Aquele, com um quê louco de esperança, que meus códigos identificaram logo de cara:
"Loving, first, loving and gentle: loving as a dog (forgive the prosaic smile, but I know no earthy love so pure and perfect), and gentle as a fawn; then courteous - courteous to all, high or low, grand or grotesque, King or Caterpillar, even as though she were herself a King’s daughter, and her clothing of wrought gold: then trustful, ready to accept the wildest impossibilities with all that utter trust that only dreamers know; and lastly, curious – wildly curious, and with the eager enjoyment of Life that comes only in the happy hours of childhood, when all is new and fair, and when Sin and Sorrow are but names – empty words signifying nothing!"
Sabe aquela vontade que (quase) todo menino pequeno tem de usar óculos, aparelho nos dentes e quebrar o braço? Pois é. Agora só me falta quebrar o braço.
- Ela diz: afrodite andava muito saidinha, atena acabou por lhe dar uma bronca e retomar as rédeas da situação - A amiga dela diz: imagino atena é tãaaao brava, né? - Ela diz: demais é que deméter e perséfone ainda incentivavam afrodite, então ela tratou de colocar as asinhas de fora mas atena já está com o controle novamente - A amiga dela diz: atena é demais mas eu acho que vc é mto afrodite muito demeter muito artemis nada hera medio persefone - Ela diz: tb acho muito atena, muito afrodite, muito demeter tanto que elas vivem em conflito bem artemis tb médio persefone, tipo, pra algumas coisas e nada hera. mesmo. - A amiga dela diz: mas assim, eu prefiro atena queria ser só ela - Ela diz: é, eu tb quer dizer, agora que falei já fiquei na dúvida gosto muito de afrodite e demeter tb - A amiga dela diz: afrodite eu gosto mas ela é meio boba acho ela meio cabeça de vento ama demais e sofre demais tb - Ela diz: completamente - A amiga dela diz: mas prefiro a sinceridade de afrodite que a frivolidade de hera - Ela diz: isso não tenho uma preferida acho que a atena e a afrodite vão brigar pra sempre aqui - A amiga dela diz: é pq a atena vê a situação com racionalidade mas a afrodite insiste em fazer as mesmas burrices é fogo - A amiga dela diz: e fulano? quem é que gosta dele? das suas deusas? - Ela diz: afrodite - A amiga dela diz: será? - Ela diz: ai, pensando bem eu acho que nenhuma mesmo artemis usa o fulano afrodite tb usa o fulano atena não suporta essas duas usando o fulano, porque é ela quem aguenta e o resto não se manifesta mas gostar, mesmo, nenhuma gosta. certeza. - A amiga dela diz: acho que demeter fica com um pouco de pena - Ela diz: ficava... mas já passou atena já a convenceu de que não existe esse negócio de pena - A amiga dela diz: tem q ter pena é de vc de aturar essa mala sem alça - Ela diz: por isso que atena fica tão brava com afrodite e artemis
Olha, deixa eu te dizer uma coisa. Não, você não me conhece. Se conhecesse, você não dizia as coisas que você disse. Não, eu não gosto de grude, odeio quem pega no meu pé. Não me liga todo dia que eu preguiço de você. E não me cobre. Nada. Nadica de nada mesmo, porque eu não tô te cobrando nada, e muito menos quero que você me cobre. Cuidado com as projeções. Também odeio DR, esse nomezinho danado de feio que inventaram, porque relação nenhuma nasceu pra ser discutida, mas pra ser vivida, e dividida. Mas se eu não me sentir à vontade, também, foi mal, é problema meu. Eu tenho lá minhas razões. E a princípio, elas só dizem respeito a mim mesma. E isso não siginifica começar do zero cada vez que você me vir. E não me importa se semana que vem eu vou te ver ou não. Quer dizer, até me importa, mas eu não vou viver os meus dias em função disso. O que os outros pensam sobre você não é problema seu. Eu tento aprender. E quer saber, eu não tinha nada que dizer nada disso a você, nem a ninguém. Pague o preço. Eu faço as minhas escolhas, você faz as suas. É assim, e pronto.
No porta-luvas do meu carro há exatamente 86 folhinhas de estacionamento rotativo usadas. Não jogo fora porque cada folhinha destas traz um bônus de meia hora, que eu nunca uso, mas posso querer usar algum dia. O bolo de folhinhas é tão grande que lota o porta-luvas, não cabe mais nem uma pulga lá dentro. Amanhã vão inteirar 87 bônus de meia hora, mais um talão novo com 20 folhas a serem usadas. Daqui a mais ou menos 1 mês atinjo a marca de 107 folhinhas com o tal bônus. Então, BH Trans, tenho uma proposta: vamos fazer o seguinte? Você troca 100 folhinhas usadas com o bônus valendo por 1/2 talão em branco?
Eu já falei aqui que detesto salão. Não gosto da maquiagem que fazem no salão, e gosto menos ainda do cabelo que fazem no salão. Vou pra fazer as unhas, cortar o cabelo vez em quando (passei 2 anos cortando meu próprio cabelo) e só.
Mas às vezes parece que a gente não aprende, né?
Sábado teve casamento. As meninas todas iam aprontar no mesmo salão da noiva, com direito a champagne durante o make, e acabei cedendo, mais pela farra, confesso.
Resultado: deixei uma grana preta por lá, saí do salão em cima da hora pra igreja, fui pra casa, molhei o cabelo e deixei secar de novo, sozinho, passei maquiagem por cima da outra, e acabei chegando na cerimônia atrasada.
Valeu pela companhia e pelas boas risadas. Mas só.
No meio da correria (de sempre), aproveitei o feriado e fui conferir (de novo) se o Rio de Janeiro continua lindo. E era final de semana de meia maratona, e o pessoal tinha ido pra correr. Eu fui de gaiato, pra passear mesmo, pra ver o mar e pôr o pé na areia. E dois anos depois de ter corrido minha primeira (e única) meia maratona, e depois de não ter treinado quase nadica de nada por mais de ano (minhas últimas corridas foram 3 de 5km com um intervalo de uns 2 meses entre cada uma delas), resolvi correr 17. Quilômetros. Arrumei um número de peito (de um tal de Osmar, que não conheço, e que desistiu de ir em BH por razões que também não faço a mais vaga idéia de quais sejam), peguei a turma no Leblon, na altura do km 4, e fui. Até o final. Resultado: 2 horas e 5 minutos correndo sem andar nem um passinho, a impossibilidade de andar até o banheiro no boteco depois de beber 3 chopps depois da corrida, dois relaxantes musculares, mais algumas dores por aqui, outras ali, e uma satisfação sem tamanho por ter conseguido superar um desafio grande que me impus, e que talvez só eu mesma confiasse que conseguiria. Pode parecer pouco, mas juntando com as ótimas companhias que estavam lá, as visitas aos primos ricos, os botecos e restaurantes, à praia com o céu nublado, e ao sol que fez na segunda-feira, que me fez sentir o sal da água do mar arder nos olhos de 5 em 5 minutos e só ir embora da praia depois do anoitecer, foi tanto, tanto, tanto. E é por essas e por outras que eu não me canso do Rio. E deixo aqui minha música preferida pra correr, que não é Strokes, minha banda preferida pra correr, mas me dá vontade de sair desembestada por aí, e a foto de parte da turma com a máquina apoiada no guarda corpo do terraço na cobertura do flat.