28 de junho de 2010

No cardiologista

Meu pai tava com umas dores esquisitas no peito. Foi ao cardiologista, vai ter que fazer uns exames. Cintilografia, eu acho. Nem sei o que é isso. Mas quando ele chegou do médico, quando a minha mãe perguntou o que ele tinha no coração, ele falou que o médico disse que ele tinha fortes sintomas de apaixonamento.

O Brinco

Pode ser que como as estrelas
as coisas estejam separadas
por pequenos intervalos de tempo
pode ser que as nossas mãos
de um dia para o outro
deixem de caber
umas dentro das outras
pode ser que no caminho para o cinema
eu perca uma de minhas ideias
preferidas
e pode ser
que já na volta
eu me tenha resignado
alegremente
a essa perda
pode ser
que o meu reflexo sujo
no vidro da lanchonete
seja uma imagem de mim
mais exata
do que esta fotografia
mais exata do que a lembrança
que tem de mim
uma antiga colega de colégio
mais exata do que a ideia
que eu mesma
agora tenho de mim
e portanto pode ser
que a moça cansada
de olhos tristes
que trabalha na lanchonete
tenha de mim uma imagem
mais fiel
do que qualquer outra pessoa
pode ser que um gesto
um jeito de dobrar
os lábios
te devolva
subitamente
toda a infância
do mesmo modo que uma xícara
pode valer uma viagem
e uma cadeira
pode equivaler a uma cidade
mas um cachorro estirado ao sol não é o sol
e uma quarta-feira não pode ser o mesmo que
uma vida inteira
pode ser
meu querido
que esquecendo em sua cama
meu brinco esquerdo
eu te obrigue mais tarde
a pensar em mim
ao menos por um momento
ao recolher o pequeno círculo
de prata
cujo peso
o frio
você agora sente nas mãos
como se fosse
(mas ó tão inexato)
o meu amor.


Ana Martins Marques

25 de junho de 2010

I`m sooo sorry

Bom, a história é assim: eu gostei de estar com você, todas as vezes. Mas a verdade é que eu nunca sonhei com você na minha vida. Nunca fiz planos pra nós nem nunca quis que aquelas noites durassem para sempre. Tá, eram boas, eu me divertia, e vivi todas elas enquanto aconteciam, mas não depois. Não ansiava, não esperava, não me davam frio na espinha nem dor de barriga. Sei que você é um cara divertido, daqueles que muitas mulheres fariam tudo para ter ao lado, mas não eu. Eu sou assim, sabe? Meio de lua, meio de veneta. Gosto de paixões arrebatadoras e preciso ouvir o click dentro de mim para acreditar que aquilo realmente existe. Sei que você gosta de mim, que se preocupa, que me cuida, mas não me causa. Gosto de você de uma maneira completamente diferente. A gente pode continuar saindo, bebendo uma cerveja, rindo dos outros e falando da vida, mas não vou namorar você, dormir com você ou me casar com você. Nem vou dizer que o problema é seu ou meu, não é com nenhum dos dois, é com "a gente", assim, junto. Faltou química, faltou magia, faltou um pouquinho de sonho e expectativa. Não te quero mal, só não te quero para mim. Sei que se pensar bem, pra valer, vai concordar comigo: somos muito parecidos mas também muito diferentes. Não quero te magoar, mas vou acabar fazendo isso nas próximas horas, nos próximos dias ou semanas, também não vou ficar repetindo isso porque de nada adianta quando já se está chateado, mas quero que entenda que eu nunca contribui para que você pensasse que as coisas seriam diferentes. Não gosto de declarações de amor o tempo todo, nem gosto que me liguem sem parar. Não gosto de disponibilidade excessiva, não gosto de ser incluída em planos que sequer ajudei a pensar. A verdade é que não gosto de me sentir controlada e nem de sentir que estou me deixando levar por algo que não é. Você não é o cara, sabe como? E precisa ser ele. Neste momento da minha vida tomei algumas decisões e a primeira delas é: não, não vou viver algo se não for para valer (e isso é pra mim, não para você). Não basta ser inteligente, ser bacana, engraçado... Tem que ser a pessoa, tem que ser diferente, tem que ser especial. Sei que vivo reclamando que eu queria namorar, que esta vida de solteira não está com nada, que não gosto de sair à noite sem rumo e acordar ainda sem direção, que sinto falta de companhia, de alguém para estar ao meu lado, dançando na Obra, vendo filme no sofá, ou cozinhando em qualquer lugar, dividir coisas e momentos, mas para que isso aconteça, eu preciso me apaixonar, entendeu? E não foi desta vez.
Ju Moraes

21 de junho de 2010

12 de junho de 2010

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

5 de junho de 2010

Love, actually, is all around

Amo, amamos vocês... Espero que aquilo que eu estiver (nós estivermos) absorvendo aqui, deste lugar, dos ensinamentos, possa se inscrever em nossa alma e nos ajudar na nossa vida, na nossa evolução, na nossa travessia das tempestades, e no usufruto das alegrias que a vida me doa (nos doa). Vocês fazem parte delas. Beijos, amor, sempre. Mom and Dad.

3 de junho de 2010

1 de junho de 2010

I Don`t Wanna Miss a Thing

- Mais um post-resumo, porque tem coisas que a gente não sabe explicar direito mesmo;
- Repito, quando é pra viajar, eu acordo cedo com o dia ainda escuro sem reclamar;
- Repito, de novo, eu amo aeroporto, mas só se for pra entrar num avião;
- Encontros inesperados em aeroportos são das coisas mais gostosas do mundo, mesmo quando alguém toma um susto;
- Desta vez não choveu;
- Área VIP é caro, mas é ótimo. Nunca vi um show tão de pertinho, com as pessoas tão grandes no palco sem precisar do telão, e tão tranquila, sem apanhar, bebendo cerveja de boa;
- O Steven Tyler me lembrou muito bem porque eu era apaixonada por ele quinze anos atrás, e continuo;
- Mais uma vez, repito, a expectativa nem sempre é a mãe da decepção;
- O show foi perfeito, pena que só durou cinco minutos;
- Rock'n'roll é bom demais;
- O Morumbi é bem maior que o Palestra Itália;
- Nunca achei que sofreria de amnésia alcóolica, mas começo a ficar preocupada;
- Ir pro posto, depois pro show, depois pro posto, depois pro bar pode demorar um pouco, custar caro, e depois de tudo isto fica mais difícil manter o juízo;
- Eu quero mesmo muito ter meus filhos um dia, e conto isso pra todo mundo, mesmo pra quem eu não conheço;
- Don`t get me wrong gruda mesmo na cabeça, mas me faz feliz demais;
- Eu olho no olho sem querer, e as pessoas me percebem de ver;
- Eu canto e danço na rua, e me divirto horrores assim;
- Eu sou facilmente apaixonável;
- Amigos queridos são a melhor coisa do mundo;
- Eu sou uma irmã ciumenta;
- Mesmo sem dormir, acordei com Jaded na cabeça;
- Conversa boa a gente reprisa por dias;
- Planejei ver Nando Reis no parque, mas acabei dormindo o dia todo;
- Se não der pra fazer late check-out, pague meia diária a mais, mas aproveite o dia pro que for te fazer melhor;
- Concluí que a depressão pós viagem sempre começa um pouco antes da hora;
- Sim, eu vou ficar bem, eu estou bem;
- Não, eu não vou me esquecer de que sou lindinha demais, obrigada;
- Bons momentos são pura felicidade;
- O amor é feito de hoje e felicidade se acha é em horinhas de descuido.