25 de novembro de 2009

A Fábrica do Poema

Não, eu não tô sumida do blog. Só tô mais introspectiva, sabe? Mais observadora, espectadora, aguardante.
Nestes dias, questiono muito, sabia? Mas prefiro guardar as respostas (ou as dúvidas) pra mim.
Algumas mudanças estão por vir, e elas não têm nada a ver com o fim do ano que se aproxima, ou com o começo de outro que vem em breve. Mas são mudanças, e assim, expectativa.
Leio, assisto, escuto, aguardo. Paciente. Porque às vezes é hora de fazer as coisas acontecerem. E às vezes é hora de ver o que você fez acontecendo.
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Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
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Adriana Calcanhotto

17 de novembro de 2009

16 de novembro de 2009

Das anotações da mamãe II

Lara:
- Mãe, tem duas coisas que eu queria pegar: a neve e a nuvem. A neve é fácil. É só viajar pro Pólo Norte.
Ana:
- Eu não quero ir pro Pau do Norte!

15 de novembro de 2009

Das anotações da mamãe

Eu, aos quase cinco anos, logo depois da Copa do México, no aeroporto, ao ouvir no alto-falante "vôo doméstico":
- Vôo do México!!! É do México, mãe!! Vamos lá ver!!!

11 de novembro de 2009

9 de novembro de 2009

Se você gostou

Se você gostou de beijar a minha boca
Se lhe agradou minha voz cansada e rouca
Se quiser de novo os carinhos que eu lhe fiz
Amor telefone e peça bis

Roberto Carlos

Eu não gosto de radar. Mas sou super a favor.

Porque se não vai por bem, vai por mal.
Trânsito. De novo ele.
Sábado minha irmã contou uma historia da irmã de uma amiga de uma amiga dela que, aos vinte anos, foi atravessar a rua na frente de um ônibus, o carro na outra pista não viu, ela foi atropelada e morreu. Ok. Se ela foi atravessar a rua na frente do ônibus, ela estava errada. Todo mundo sabe que a gente não atravessa a rua na frente de ônibus. Mas talvez, se o carro que a atropelou estivesse um pouco mais devagar, ela não tivesse morrido. Porque todo mundo sabe também que as pessoas não precisam andar, dentro da cidade e onde há pedestres pra todos os lados, na velocidade em que andam.
Hoje eu tava chegando na obra, e a rua do escritório é estreita. Param carros dos dois lados. E é mão dupla. Se vier carro dos dois lados, um tem que parar pro ouro passar. Embiquei na garagem, liguei pro encarregado abrir o portão pra mim, porque eu não tenho a chave do cadeado. É coisa de um minuto. Dois, no máximo. E justamente neste meio-tempo de abrir o portão da garagem e eu entrar com o carro, um imbecil começou a buzinar atrás, porque ele queria passar, mas como a rua é estreita, ele tinha que esperar. Ele deu uma buzinadinha, eu respondi com uma buzinadinha igual. Ele deu duas buzinadinhas, eu respondi com duas buzinadinhas iguais. Ele deu uma buzinadona, eu respondi com uma buzinadona igual. Ele sentou a mão na buzina, eu comecei a rir. Até que ele desceu do carro e me perguntou como ele ia passar. Eu respondi que bastava ele esperar um minuto, que eu ia entrar na garagem, aí ele passava. Ele disse que se eu ia entrar na garagem, era pra eu chegar o carro pra frente (o capô do meu carro já estava colado ao portão). Respondi que se eu chegasse o carro pra frente, bateria no portão. Ele me mandou bater no portão. Mandei bater na traseira do meu carro, então. E disse que queria ver o que demorava mais. E que esperar dois minutos não ia fazer tanta diferença na vida dele, a menos que ele fosse tirar o pai da forca, o que não era o caso. O encarregado abriu o portão, eu entrei, ele passou. Pronto. Doeu?
Eu já tive o pé bem pesado. Apressadinha. Não demorou pra eu aprender que correr ou perder a paciência não faz a menor diferença no fim das contas.
Adianta chegar dois ou cinco minutos antes e ficar estressada, com dor de estômago de ansiedade, ser mal educada com as pessoas e ainda colocar em risco a vida de outras? Não vale a pena. Adianta não deixar as pessoas entrarem, passarem, estacionarem, atravessarem, quando elas sinalizam e pedem com educação? Também não adianta. Mas se vem um engraçadinho enfiando o carro na frente, ignorando a função da seta, ou metendo a mão na buzina, ah, aí é até com fins educativos, eu não deixo mesmo.

8 de novembro de 2009

Vontade de você

Eu quero mato
Cachoeira
Grama molhada
Cheiro de chuva quando cai na terra
Barulho de grilo
Céu estrelado
Champagne com chocolate

Eu quero praia
Cheiro de maresia
Areia queimando os pés
Balanço das ondas do mar
Sol claro que cega
A lua cheia no céu
Cerveja gelada


Eu quero você

1 de novembro de 2009

Eu sei voar

Tem dias que me sinto meio vazia, como um espaço em branco a ser preenchido. Nestes dias, é quando eu sinto mais falta de tempo, não por falta de tempo, mas por querer fazer tanta coisa de uma vez: ler os três livros que estão na fila da cebeceira, assistir aos cinco filmes que comprei ou aos nove que baixei e ainda não vi, ouvir as músicas das bandas que anotei no post it pra não esquecer, rever os amigos que há tempos e não encontro e que são sempre cheios de histórias interessantes, me teletransportar pra praia e caminhar na areia vendo o por do sol e sentindo as ondas do mar molhando os pés e a canela. Nestes dias também não sei escrever, e, acreditem, nem falar. Nestes dias quero ser só ouvinte, espectadora. Absorver tudo quanto for possível pra preencher o vazio. Mas o vazio não é ruim. É leve. É livre. E voa. E foi numa dessas que eu recebi como presente as músicas que a Renata postou aqui, aproveitando o dia ou lavando a alma. E pra retribuir este carinho pros ouvidos, pra cabeça, pro coração, posto aqui uma música que o Lucas postou antes, aqui, em forma de dica.


Vale a pena ouvir aqui também.