Não, eu não tô sumida do blog. Só tô mais introspectiva, sabe? Mais observadora, espectadora, aguardante.
Nestes dias, questiono muito, sabia? Mas prefiro guardar as respostas (ou as dúvidas) pra mim.
Algumas mudanças estão por vir, e elas não têm nada a ver com o fim do ano que se aproxima, ou com o começo de outro que vem em breve. Mas são mudanças, e assim, expectativa.
Leio, assisto, escuto, aguardo. Paciente. Porque às vezes é hora de fazer as coisas acontecerem. E às vezes é hora de ver o que você fez acontecendo.
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Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
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Adriana Calcanhotto
