Bem choveu aqui no meu jardim. Mas é uma chuva ainda coberta de dúvida e mistério. Uma chuva direta, abundante, "molhadora", dessas de fazer poça, de amolecer tijolo. E eu que já tive a alma deserta, o peito de mandacaru com espinhos, só posso sentir desaguar a chuva boa desconfiado tanto da tempestade quanto da bonança. Mas confesso que a minha intenção é não resistir, inundado e feliz, com águas pelas canelas, nos joelhos, acima do umbigo, na altura do peito, a mão erguida, já perdendo o chão equilibrado nos dedos midinhos. Quero mais é chuvarada mansa e constante, sem precaução, bater os braços e as pernas sobre a superfície boa do amor.
5 comentários:
se te serve de consolo, na minha também não.
(mas sabe que tá bom assim?)
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Rá!
Sabe, eu tb não acho ruim, não!
Bem choveu aqui no meu jardim. Mas é uma chuva ainda coberta de dúvida e mistério. Uma chuva direta, abundante, "molhadora", dessas de fazer poça, de amolecer tijolo. E eu que já tive a alma deserta, o peito de mandacaru com espinhos, só posso sentir desaguar a chuva boa desconfiado tanto da tempestade quanto da bonança. Mas confesso que a minha intenção é não resistir, inundado e feliz, com águas pelas canelas, nos joelhos, acima do umbigo, na altura do peito, a mão erguida, já perdendo o chão equilibrado nos dedos midinhos. Quero mais é chuvarada mansa e constante, sem precaução, bater os braços e as pernas sobre a superfície boa do amor.
Acho muito bom encher as lacunas e o tempo de mim mesma. Mas melhor ainda é, depois dos vazios preenchidos, encharcar na chuva e perder o fôlego!
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