As pessoas às vezes cismam que elas não têm importância, e acabam dando importância demais pros outros. Se amam nada, e acham que admitir um erro ou pedir desculpas é decretar o próprio fracasso. Enxergam os defeitos do mundo todo, mas são incapazes de olhar pro próprio umbigo, e exatamente por se acharem um lixo não têm um pingo de humildade diante dos outros. Passam pelos dias por pura inércia, trabalhando, dormindo, comendo, tomando remédio pra dor de cabeça, sem se darem conta de como essa vida é boa, mesmo cheia de problemas e coisas que não nos agradam. Reclamam de tudo, sem perceber que elas têm emprego, dinheiro, casa, carro, família, saúde, amigos, admiração e conhecimento, enquanto outras viram a chuva levar tudo o que elas tinham e não reclamam de nada. Não, eu não acho que o mundo é perfeito, nem que as pessoas são perfeitas, a começar por mim mesma. Sim, eu sei que sei muito pouco sobre a vida e sobre tudo, e que eu ainda tenho muito o que aprender, muito o que errar, muito o que viver. Mas eu sei também que por mais defeitos que os outros (eu incluída) tenham, todo mundo (eu incluída) também tem um milhão de qualidades, e é preciso estar disposto a saber enxergá-las. E eu me sinto realmente bem e feliz se alguém que se sente o cocô do cavalo do bandido e não conhece nem a pulga que mora atrás da minha orelha se sente à vontade pra me falar o que tem lhe tirado o sono ou causado aquela dor nas costas. Mais ainda, se eu percebo que de alguma forma, do alto dos meus 1,58m e da minha ignorância, eu consigo fazer com que esse alguém pare pra pensar um pouco no quanto viver é desafiador, mas vale a pena. E contribuo pra que esta pessoa se sinta mais querida e confiante, ou pelo menos tenha uma boa noite de sono.
Boa noite, morcego! E, sério mesmo, te cuida! Teoria da conspiração pra cima de mim, não...