Se a gente acordar todo dia e acreditar que vai ser um ótimo dia, pode apostar, a vida vai ser cada dia melhor.
Mesmo que já esteja ótima.
26 de dezembro de 2009
24 de dezembro de 2009
All I Want For Christmas
Eu tinha escrito um outro texto pra postar aqui.
Desisti.
Resolvi colocar um vídeo. De um filme bobo, mas lindo, lindo, lindo, alegre, feliz. Que dá vontade de cantar. Que dá vontade de dançar.
Não aguento quando o Youtube diz que A incorporação foi desativada mediante solicitação... Aí só me resta colocar o link mesmo. Mas perde metade da graça...
Enfim, Feliz Natal!!
Desisti.
Resolvi colocar um vídeo. De um filme bobo, mas lindo, lindo, lindo, alegre, feliz. Que dá vontade de cantar. Que dá vontade de dançar.
Não aguento quando o Youtube diz que A incorporação foi desativada mediante solicitação... Aí só me resta colocar o link mesmo. Mas perde metade da graça...
Enfim, Feliz Natal!!
20 de dezembro de 2009
19 de dezembro de 2009
O dia que Júpiter encontrou Saturno
Passou o percurso inteiro olhando para ela. Tentou ser discreto. Uma mulher pode ter dúvidas sobre estar sendo admirada ou perseguida. Jurou que ela correspondia. Pensou que, se os dois descessem na mesma estação seria um sinal divino de que deveriam se conhecer. E claro, trepar. E então, quando a voz anunciou “Estação Paraíso”, os dois se levantaram juntos. Juntos mesmo, como não conseguiriam se tivessem combinado. Juntos de forma que arrancariam aplausos dos demais passageiros, se eles não estivessem ocupados demais fazendo nada. Ela imaginou que filme ele gostaria de ver. Ele reparou nas pernas dela.
Caminharam para a mesma porta e, nessa hora, os olhares se acharam. E um sorriso escapou. O dela mais contido. O dele saiu como um espirro. Fujão e alto, mesmo sem som algum. Permaneceram ali de frente para a porta, um ao lado do outro, assistindo as paredes do túneis passando sem novidades. Ele imaginava o lugar ideal para a primeira vez dos dois. Tentavam não mover as cabeças, mas lançavam o máximo que um olhar diagonal pode alcançar. Qualquer um que os visse de frente pensaria que eram estrábicos. Com as vistas cansadas, passaram a se olhar através do reflexo da porta. Ela já imaginava se ele era do tipo que gosta de um bom vinho.
O trem parou e eles colocaram o pé direito na plataforma ao mesmo tempo. Fã de esportes que é, ele chegou a escutar os gritos da arquibancada, delirando com a harmonia da equipe. Pensou que o sexo também prometia ser bem sincronizado. Foram andando e tentando ficar lado a lado. Às vezes ela acelerava um pouco. Ele entendia que era um teste de persistência e acelerava até ultrapassá-la. E então diminuía pra ver se ela corresponderia. E ela acelerava até ultrapassá-lo. E assim percorreram a longa plataforma até a última escada de acesso à rua. Ela imaginando qual seria a banda preferida dele. Ele, a posição preferida dela. Na escada rolante ele não caminhou. Nem ela. Ficou parada, dois degraus abaixo dele. Não havia ninguém entre eles. Na verdade, não havia mais ninguém na estação.
A escada terminou e ele virou à direita. Já podia ver a porta. A saída. Seria o fim. Ou o começo?
Ele pensou em olhar pra trás. Desacelerou até que ela pudesse emparelhar-se. E então, percebeu que ela virou à esquerda. A última chance dele era olhar pra trás. Se ela olhasse, sim, iria falar com ela. Senão, pronto, aquela teria sido a história deles.
Mas o que ele falaria? E se ela fosse casada? E se ela fosse casta? E se tivesse voz fina demais? E se fosse bipolar por opção? E se pedisse pra ele parar de andar de skate?
Pensou isso tudo, mas olhou mesmo assim. E novamente, eles acertaram no segundo. Ela olhava. Ela pensava que ele poderia ser um tarado. Ou um carente, que se apaixona pela primeira que vê. Ou poderia morar com os pais. Ou ter um trabalho que exigisse demais. Ou não aceitar a carreira dela.
E quando cada um deles percebeu que a disposição de mudar suas vidas era pequena diante do momento, continuaram seguindo em frente, ainda que os caminhos fossem opostos. Naquele instante, o encontro já exigiria andar para trás. Perdeu a naturalidade. Foi o fim de uma relação intensa e sem briga alguma. Provavelmente, a melhor da vida deles.
Caminharam para a mesma porta e, nessa hora, os olhares se acharam. E um sorriso escapou. O dela mais contido. O dele saiu como um espirro. Fujão e alto, mesmo sem som algum. Permaneceram ali de frente para a porta, um ao lado do outro, assistindo as paredes do túneis passando sem novidades. Ele imaginava o lugar ideal para a primeira vez dos dois. Tentavam não mover as cabeças, mas lançavam o máximo que um olhar diagonal pode alcançar. Qualquer um que os visse de frente pensaria que eram estrábicos. Com as vistas cansadas, passaram a se olhar através do reflexo da porta. Ela já imaginava se ele era do tipo que gosta de um bom vinho.
O trem parou e eles colocaram o pé direito na plataforma ao mesmo tempo. Fã de esportes que é, ele chegou a escutar os gritos da arquibancada, delirando com a harmonia da equipe. Pensou que o sexo também prometia ser bem sincronizado. Foram andando e tentando ficar lado a lado. Às vezes ela acelerava um pouco. Ele entendia que era um teste de persistência e acelerava até ultrapassá-la. E então diminuía pra ver se ela corresponderia. E ela acelerava até ultrapassá-lo. E assim percorreram a longa plataforma até a última escada de acesso à rua. Ela imaginando qual seria a banda preferida dele. Ele, a posição preferida dela. Na escada rolante ele não caminhou. Nem ela. Ficou parada, dois degraus abaixo dele. Não havia ninguém entre eles. Na verdade, não havia mais ninguém na estação.
A escada terminou e ele virou à direita. Já podia ver a porta. A saída. Seria o fim. Ou o começo?
Ele pensou em olhar pra trás. Desacelerou até que ela pudesse emparelhar-se. E então, percebeu que ela virou à esquerda. A última chance dele era olhar pra trás. Se ela olhasse, sim, iria falar com ela. Senão, pronto, aquela teria sido a história deles.
Mas o que ele falaria? E se ela fosse casada? E se ela fosse casta? E se tivesse voz fina demais? E se fosse bipolar por opção? E se pedisse pra ele parar de andar de skate?
Pensou isso tudo, mas olhou mesmo assim. E novamente, eles acertaram no segundo. Ela olhava. Ela pensava que ele poderia ser um tarado. Ou um carente, que se apaixona pela primeira que vê. Ou poderia morar com os pais. Ou ter um trabalho que exigisse demais. Ou não aceitar a carreira dela.
E quando cada um deles percebeu que a disposição de mudar suas vidas era pequena diante do momento, continuaram seguindo em frente, ainda que os caminhos fossem opostos. Naquele instante, o encontro já exigiria andar para trás. Perdeu a naturalidade. Foi o fim de uma relação intensa e sem briga alguma. Provavelmente, a melhor da vida deles.
11 de dezembro de 2009
6 de dezembro de 2009
Contra a Lei de Murphy
Pior que o Flamengo campeão e o Cruzeiro na Libertadores, só o Cruzeiro campeão e o Flamengo na Libertadores.
5 de dezembro de 2009
Conjuntivite
Então. Faz assim. Faz de conta que hoje não é o último dia. É sexta, tem o final de semana, daqui a pouco a segunda tá aí, e começa tudo de novo. Ou então, uma semana, uns quinze dias, uma viagenzinha rápida, como se fossem as férias, não diz que é pra sempre, não pensa que é pra sempre. Eu volto, pode esperar. Fica mais fácil assim, sabia? Tá, eu sei que é mentira, e que as despedidas são necessárias. O novo só vem mesmo quando a gente se desfaz do antigo. Mas é que assim eu não dou conta. Assim eu vou chorar, não quero. Tá, não consigo. Ainda bem que tem essa conjuntivite. Disfarça.
3 de dezembro de 2009
1 de dezembro de 2009
Ela tem gonorréia
- Quando é pra viajar, eu acordo cedo com o dia ainda escuro sem reclamar;
- Eu amo aeroporto, mas só se for pra entrar num avião;
- Tomar chuva sem a preocupação de se molhar é muito gostoso;
- Apagar as luzes e começar o show exatamente na minha vez de buscar cerveja foi um grande erro de timing;
- Foi a coisa mais linda ver tantas luzinhas vermelhas no céu piscando;
- Nunca apanhei tanto na vida (pessoas que medem 1,58 m não foram feitas pra multidões);
- O melhor lugar pra ver o show é no fundo da pista - dá pra enxergar tudo direitinho, mesmo pequenininho, sem um monte de cabeção na frente, dá pra sentir um ventinho no rosto, tem bastante espaço pra dançar e a cerveja é fácil de pegar;
- A expectativa nem sempre é a mãe da decepção;
- Ainda bem que existem cavalheiros bem dispostos a colocar uma dama nos ombros;
- O show foi perfeito, pena que as duas horas em que eles tocaram só duraram cinco minutos;
- Rock'n'roll é bom demais;
- Qualquer striptease pode ser muito divertido;
- Eu amo fogos de artifício;
- Tínhamos um personal paparazzo, mas ainda não tive acesso às fotos pra postá-las aqui;
- O time do Galo é uma vergonha, eu sei, mas mesmo assim eu sou apaixonada, o Galo é lindo, e é de arrepiar ouvir o hino cantado pelos belorizontinos saindo pelos corredores do estádio de outro time, em outra cidade;
- Cheguei do Morumbi na dúvida se colocava minha meia na roupa suja ou na lixeira;
- Tomar chopp no mercado municipal de São Paulo é ótimo, pena que a ressaca só me deixou beber água;
- Nunca comi tanto hamburguer de microondas em tão poucos dias;
- Queria mais bares com chopp Guiness em BH, mas até lá meu bolso agradece;
- A depressão pós viagem às vezes pode começar um pouco antes da hora;
- Minhas panturrilhas doem até hoje, e eu nem lembrava de ter pulado tanto;
- Não tiro da cabeça o refrão ela tem gonorréia, assim, em português, depois de ouvir um amigo cantando e dançando exaustivamente na madrugada das ruas de São Paulo sua versão traduzida de the jack, e rio sozinha quando refaço a imagem na cabeça;
- Bons momentos são pura felicidade;
- O amor é feito de hoje.
25 de novembro de 2009
A Fábrica do Poema
Não, eu não tô sumida do blog. Só tô mais introspectiva, sabe? Mais observadora, espectadora, aguardante.
Nestes dias, questiono muito, sabia? Mas prefiro guardar as respostas (ou as dúvidas) pra mim.
Algumas mudanças estão por vir, e elas não têm nada a ver com o fim do ano que se aproxima, ou com o começo de outro que vem em breve. Mas são mudanças, e assim, expectativa.
Leio, assisto, escuto, aguardo. Paciente. Porque às vezes é hora de fazer as coisas acontecerem. E às vezes é hora de ver o que você fez acontecendo.
.
.
.
Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
No topo fantasma da torre de vigia
Nem a simulação de se afundar no sono.
Nem dormir deveras.Pois a questão-chave é:
Sob que máscara retornará o recalcado?
.
Adriana Calcanhotto
17 de novembro de 2009
16 de novembro de 2009
Das anotações da mamãe II
Lara:
- Mãe, tem duas coisas que eu queria pegar: a neve e a nuvem. A neve é fácil. É só viajar pro Pólo Norte.
Ana:
- Eu não quero ir pro Pau do Norte!
15 de novembro de 2009
Das anotações da mamãe
Eu, aos quase cinco anos, logo depois da Copa do México, no aeroporto, ao ouvir no alto-falante "vôo doméstico":
- Vôo do México!!! É do México, mãe!! Vamos lá ver!!!
14 de novembro de 2009
11 de novembro de 2009
9 de novembro de 2009
Se você gostou
Se você gostou de beijar a minha boca
Se lhe agradou minha voz cansada e rouca
Se quiser de novo os carinhos que eu lhe fiz
Amor telefone e peça bis
Roberto Carlos
Se lhe agradou minha voz cansada e rouca
Se quiser de novo os carinhos que eu lhe fiz
Amor telefone e peça bis
Roberto Carlos
Eu não gosto de radar. Mas sou super a favor.
Porque se não vai por bem, vai por mal.
Trânsito. De novo ele.
Sábado minha irmã contou uma historia da irmã de uma amiga de uma amiga dela que, aos vinte anos, foi atravessar a rua na frente de um ônibus, o carro na outra pista não viu, ela foi atropelada e morreu. Ok. Se ela foi atravessar a rua na frente do ônibus, ela estava errada. Todo mundo sabe que a gente não atravessa a rua na frente de ônibus. Mas talvez, se o carro que a atropelou estivesse um pouco mais devagar, ela não tivesse morrido. Porque todo mundo sabe também que as pessoas não precisam andar, dentro da cidade e onde há pedestres pra todos os lados, na velocidade em que andam.
Hoje eu tava chegando na obra, e a rua do escritório é estreita. Param carros dos dois lados. E é mão dupla. Se vier carro dos dois lados, um tem que parar pro ouro passar. Embiquei na garagem, liguei pro encarregado abrir o portão pra mim, porque eu não tenho a chave do cadeado. É coisa de um minuto. Dois, no máximo. E justamente neste meio-tempo de abrir o portão da garagem e eu entrar com o carro, um imbecil começou a buzinar atrás, porque ele queria passar, mas como a rua é estreita, ele tinha que esperar. Ele deu uma buzinadinha, eu respondi com uma buzinadinha igual. Ele deu duas buzinadinhas, eu respondi com duas buzinadinhas iguais. Ele deu uma buzinadona, eu respondi com uma buzinadona igual. Ele sentou a mão na buzina, eu comecei a rir. Até que ele desceu do carro e me perguntou como ele ia passar. Eu respondi que bastava ele esperar um minuto, que eu ia entrar na garagem, aí ele passava. Ele disse que se eu ia entrar na garagem, era pra eu chegar o carro pra frente (o capô do meu carro já estava colado ao portão). Respondi que se eu chegasse o carro pra frente, bateria no portão. Ele me mandou bater no portão. Mandei bater na traseira do meu carro, então. E disse que queria ver o que demorava mais. E que esperar dois minutos não ia fazer tanta diferença na vida dele, a menos que ele fosse tirar o pai da forca, o que não era o caso. O encarregado abriu o portão, eu entrei, ele passou. Pronto. Doeu?
Eu já tive o pé bem pesado. Apressadinha. Não demorou pra eu aprender que correr ou perder a paciência não faz a menor diferença no fim das contas.
Adianta chegar dois ou cinco minutos antes e ficar estressada, com dor de estômago de ansiedade, ser mal educada com as pessoas e ainda colocar em risco a vida de outras? Não vale a pena. Adianta não deixar as pessoas entrarem, passarem, estacionarem, atravessarem, quando elas sinalizam e pedem com educação? Também não adianta. Mas se vem um engraçadinho enfiando o carro na frente, ignorando a função da seta, ou metendo a mão na buzina, ah, aí é até com fins educativos, eu não deixo mesmo.
Sábado minha irmã contou uma historia da irmã de uma amiga de uma amiga dela que, aos vinte anos, foi atravessar a rua na frente de um ônibus, o carro na outra pista não viu, ela foi atropelada e morreu. Ok. Se ela foi atravessar a rua na frente do ônibus, ela estava errada. Todo mundo sabe que a gente não atravessa a rua na frente de ônibus. Mas talvez, se o carro que a atropelou estivesse um pouco mais devagar, ela não tivesse morrido. Porque todo mundo sabe também que as pessoas não precisam andar, dentro da cidade e onde há pedestres pra todos os lados, na velocidade em que andam.
Hoje eu tava chegando na obra, e a rua do escritório é estreita. Param carros dos dois lados. E é mão dupla. Se vier carro dos dois lados, um tem que parar pro ouro passar. Embiquei na garagem, liguei pro encarregado abrir o portão pra mim, porque eu não tenho a chave do cadeado. É coisa de um minuto. Dois, no máximo. E justamente neste meio-tempo de abrir o portão da garagem e eu entrar com o carro, um imbecil começou a buzinar atrás, porque ele queria passar, mas como a rua é estreita, ele tinha que esperar. Ele deu uma buzinadinha, eu respondi com uma buzinadinha igual. Ele deu duas buzinadinhas, eu respondi com duas buzinadinhas iguais. Ele deu uma buzinadona, eu respondi com uma buzinadona igual. Ele sentou a mão na buzina, eu comecei a rir. Até que ele desceu do carro e me perguntou como ele ia passar. Eu respondi que bastava ele esperar um minuto, que eu ia entrar na garagem, aí ele passava. Ele disse que se eu ia entrar na garagem, era pra eu chegar o carro pra frente (o capô do meu carro já estava colado ao portão). Respondi que se eu chegasse o carro pra frente, bateria no portão. Ele me mandou bater no portão. Mandei bater na traseira do meu carro, então. E disse que queria ver o que demorava mais. E que esperar dois minutos não ia fazer tanta diferença na vida dele, a menos que ele fosse tirar o pai da forca, o que não era o caso. O encarregado abriu o portão, eu entrei, ele passou. Pronto. Doeu?
Eu já tive o pé bem pesado. Apressadinha. Não demorou pra eu aprender que correr ou perder a paciência não faz a menor diferença no fim das contas.
Adianta chegar dois ou cinco minutos antes e ficar estressada, com dor de estômago de ansiedade, ser mal educada com as pessoas e ainda colocar em risco a vida de outras? Não vale a pena. Adianta não deixar as pessoas entrarem, passarem, estacionarem, atravessarem, quando elas sinalizam e pedem com educação? Também não adianta. Mas se vem um engraçadinho enfiando o carro na frente, ignorando a função da seta, ou metendo a mão na buzina, ah, aí é até com fins educativos, eu não deixo mesmo.
8 de novembro de 2009
Vontade de você
Eu quero mato
Cachoeira
Grama molhada
Cheiro de chuva quando cai na terra
Barulho de grilo
Céu estrelado
Champagne com chocolate
Eu quero praia
Cheiro de maresia
Areia queimando os pés
Balanço das ondas do mar
Sol claro que cega
A lua cheia no céu
Cerveja gelada
Eu quero você
Cachoeira
Grama molhada
Cheiro de chuva quando cai na terra
Barulho de grilo
Céu estrelado
Champagne com chocolate
Eu quero praia
Cheiro de maresia
Areia queimando os pés
Balanço das ondas do mar
Sol claro que cega
A lua cheia no céu
Cerveja gelada
Eu quero você
3 de novembro de 2009
1 de novembro de 2009
Eu sei voar
Tem dias que me sinto meio vazia, como um espaço em branco a ser preenchido. Nestes dias, é quando eu sinto mais falta de tempo, não por falta de tempo, mas por querer fazer tanta coisa de uma vez: ler os três livros que estão na fila da cebeceira, assistir aos cinco filmes que comprei ou aos nove que baixei e ainda não vi, ouvir as músicas das bandas que anotei no post it pra não esquecer, rever os amigos que há tempos e não encontro e que são sempre cheios de histórias interessantes, me teletransportar pra praia e caminhar na areia vendo o por do sol e sentindo as ondas do mar molhando os pés e a canela. Nestes dias também não sei escrever, e, acreditem, nem falar. Nestes dias quero ser só ouvinte, espectadora. Absorver tudo quanto for possível pra preencher o vazio. Mas o vazio não é ruim. É leve. É livre. E voa. E foi numa dessas que eu recebi como presente as músicas que a Renata postou aqui, aproveitando o dia ou lavando a alma. E pra retribuir este carinho pros ouvidos, pra cabeça, pro coração, posto aqui uma música que o Lucas postou antes, aqui, em forma de dica.
Vale a pena ouvir aqui também.
30 de outubro de 2009
28 de outubro de 2009
A Vida é Dura pra Quem é Mole (III)
Acordou e bebeu um copo d'água, porque parece que faz bem tomar água em jejum. Resolveu preparar um café da manhã decente, ainda que perdesse alguns minutos do seu sono. Teve paciência para colocar o pão na torradeira. Usou uma faca para cada alimento em vez de melecar a geléia de manteiga. No final, retirou tudo da mesa e lavou na hora mesmo, porque se deixasse tudo ali até à noite, poderia dar barata. Era isso que diziam, pelo menos.
Tomou banho, pendurou a toalha no varal e arrumou a cama direitinho. Até colocar o lençol por baixo do colchão, colocou.
Buscou na estante um livro para ler no ônibus. Tinha medo de enjoar, mas diziam que ler era uma ótima forma de aproveitar o tempo obrigatório que passamos em transportes públicos. Levou também um casaco, embora não estivesse fazendo muito frio. Como se fosse mágica, o livro fez a ida para o trabalho passar tão rápido que quase perdeu o ponto. Deu bom dia a todos, mesmo aos mais chatos. Também são colegas, tem que falar com todos. É o que diziam.
Na volta para casa, trocou o jogo no boteco por um filme. Foi à locadora e perguntou por “Antes do Amanhecer”. Enquanto o mocinho procurava pelo DVD, avistou do outro lado aquele bistrozinho charmoso. Assim que pagou pela locação, atravessou a rua e entrou no restaurantezinho, sem cerimônia. Se surpreendeu com o cardápio. Já haviam dito que não era tão caro. E realmente não era. Mas ele suspeitava que uma fachada tão simpática e limpa pudesse ser honesta nos valores. Não ficou pensando no tamanho do prato enquanto esperava sua chegada. Em vez disso, experimentou um vinho que, disseram, era mais caro, mas valia a pena. E valeu. Cada gotinha, cada golada. O prato chegou. Ele tinha razão: era pequeno. Mas logo sua desconfiança caiu por terra. O sabor do risotto de aspargos e brie com filé ao molho de damasco era mais do que volume para o bucho. Era um carinho para o paladar, um favor para o espírito, um presente para o estômago. Estava tudo maravilhoso o suficiente para ele ficar arrasado, pensando que ela sempre teve razão.
Deu cada passo do dia fazendo exatamente o que ela sempre pediu, aconselhou, sugeriu. E tudo deu certo. A água no jejum desceu bem, lavar pratos não doeu. Mexer o café com a colher certa e não com o cabo da faca foi bom. Ler no ônibus não deixou seu estômago revirado. Ser simpático com as pessoas não fez ele ser menos respeitado. O casaco serviu para protegê-lo do ventinho de pôr-do-sol. E o bistrot não era coisa de bicha rica. Pra piorar, adorou o filme. Fez ele compensar cada lágrima que ela, durante anos, despejou nas tentativas de arrancar novas atitudes dele.
E foi assim, derretendo em frente à TV e sofrendo com a ausência concreta dela, que ele terminou o dia mais perfeito de sua vida.
Tomou banho, pendurou a toalha no varal e arrumou a cama direitinho. Até colocar o lençol por baixo do colchão, colocou.
Buscou na estante um livro para ler no ônibus. Tinha medo de enjoar, mas diziam que ler era uma ótima forma de aproveitar o tempo obrigatório que passamos em transportes públicos. Levou também um casaco, embora não estivesse fazendo muito frio. Como se fosse mágica, o livro fez a ida para o trabalho passar tão rápido que quase perdeu o ponto. Deu bom dia a todos, mesmo aos mais chatos. Também são colegas, tem que falar com todos. É o que diziam.
Na volta para casa, trocou o jogo no boteco por um filme. Foi à locadora e perguntou por “Antes do Amanhecer”. Enquanto o mocinho procurava pelo DVD, avistou do outro lado aquele bistrozinho charmoso. Assim que pagou pela locação, atravessou a rua e entrou no restaurantezinho, sem cerimônia. Se surpreendeu com o cardápio. Já haviam dito que não era tão caro. E realmente não era. Mas ele suspeitava que uma fachada tão simpática e limpa pudesse ser honesta nos valores. Não ficou pensando no tamanho do prato enquanto esperava sua chegada. Em vez disso, experimentou um vinho que, disseram, era mais caro, mas valia a pena. E valeu. Cada gotinha, cada golada. O prato chegou. Ele tinha razão: era pequeno. Mas logo sua desconfiança caiu por terra. O sabor do risotto de aspargos e brie com filé ao molho de damasco era mais do que volume para o bucho. Era um carinho para o paladar, um favor para o espírito, um presente para o estômago. Estava tudo maravilhoso o suficiente para ele ficar arrasado, pensando que ela sempre teve razão.
Deu cada passo do dia fazendo exatamente o que ela sempre pediu, aconselhou, sugeriu. E tudo deu certo. A água no jejum desceu bem, lavar pratos não doeu. Mexer o café com a colher certa e não com o cabo da faca foi bom. Ler no ônibus não deixou seu estômago revirado. Ser simpático com as pessoas não fez ele ser menos respeitado. O casaco serviu para protegê-lo do ventinho de pôr-do-sol. E o bistrot não era coisa de bicha rica. Pra piorar, adorou o filme. Fez ele compensar cada lágrima que ela, durante anos, despejou nas tentativas de arrancar novas atitudes dele.
E foi assim, derretendo em frente à TV e sofrendo com a ausência concreta dela, que ele terminou o dia mais perfeito de sua vida.
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25 de outubro de 2009
É por isso que eu corro

Esta semana teve o desafio Nike Corre 600k.
Largando do Ibirapuera, em São Paulo, e chegando em Ipanema, no Rio, 21 equipes do país inteiro com 12 integrantes cada se revezavam para vencer os 600km do percurso, correndo uma média de 20km por dia cada um, durante 3 dias, e mais 10km no quarto dia.
Se não me engano, eram 4 equipes do Rio e 4 de São Paulo, mas apenas 1 de BH, 1 de Curitiba, 1 de Brasília, e sei lá mais de onde...
Para compor as equipes regionais, a própria Nike fez uma seletiva em agosto, com cerca de 150 concorrentes - 15 alunos de 10 acessorias esportivas convidadas.
Na seletiva de Belo Horizonte, dos 12 integrantes selecionados para compor a equipe, 10 eram alunos da HF Treinamento Esportivo, equipe da qual faço parte, já que meu cunhado (e treinador) é um dos sócios. Mas que fique bem claro que dentro da equipe, faço parte da categoria lesma, atrás das lebres e tartarugas.
E hoje, na etapa final do desafio Nike Corre 600k, a equipe de Belo Horizonte saiu vencedora, deixando as outras 20 pra trás, motivo de alegria e orgulho pra minha irmã, e pra mim, claro.
Parabéns, equipe de Belo Horizonte! Parabéns, HF!
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E como esse orgulho e essa alegria me motivam! E eu vou por aí, correndo... Porque não tenho pressa. Porque faz bem pro meu corpo e principalmente pra cabeça. Porque eu quero viver muito, e bem. Porque depois eu me sinto melhor. Pra aliviar o stress. Pra pensar na vida. Pra ouvir música. Porque é uma hora pra mim, só pra mim. Pra comer. E pra beber, porque ninguém é de ferro.
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22 de outubro de 2009
21 de outubro de 2009
19 de outubro de 2009
Repassando...
17 de outubro de 2009
15 de outubro de 2009
Sobre as prioridades
Normalmente eu não gosto de perder nem par ou ímpar. É, não gosto. Sou competitiva, gosto de ganhar. E quem não gosta?
Já ganhei muito. E muita coisa. Ainda assim, já perdi muito também. E perder, eu tive que aprender. Quando pequena, nunca soube muito bem lidar com as frustrações. Hoje em dia eu sei, sou infinitamente mais tranquila, mais flexível, mais boa perdedora. Mesmo que eu não goste. Esta talvez tenha sido uma das maiores vitórias até hoje: aprender a perder, e não sofrer tanto por isso.
Mas maior que este aprendizado, pra mim, foi o aprendizado das prioridades. É. Saber priorizar as coisas. Eu, que sempre fui super caxias. Sabe porque? Porque se for pra perder alguma coisa, é melhor perder um jogo de empresas on line da pós graduação, de mentirinha, do que uma boa noite de sono, 10km de corrida ou um final de semana prolongado na praia, todos de verdade.
13 de outubro de 2009
Depressão pós-viagem
O corpo ainda quente de sol só quer saber de ficar deitado - numa rede, de preferência. As pernas cansadas de caminhar na areia reforçam esta vontade. As olheiras não escondem que o tempo entre o final da viagem de volta e a retomada da rotina foi curto demais, e os olhos, pesados, analisam cada detalhe das fotos pela milésima vez. A garganta dói por causa do ar condicionado e da cerveja gelada alternados com o calor e a maresia. O gosto salgado do mar e a doçura daquele perfume ainda estão na minha boca. As tarefas que se acumularam (como são rápidas!) nos últimos dias de final de semana prolongado aumentam a vontade de ter tudo de novo, agora. Preguiça... Vontade de voltar no tempo e passar esses três dias de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Até a próxima visita ao mar. De preferência, com ótima companhia. De novo.
É, tô com depressão pós-viagem. Mas pode chamar de saudade.
11 de outubro de 2009
Há exatamente seis anos, num dia 11 de outubro
Conexão Brasil-Itália, diretamente de BH para Cesena.
A Cidade Invisível. Por Mamãe.
A Cidade Invisível. Por Mamãe.
9 de outubro de 2009
De Carne e Sonho
Quem me lê sabe como música é importante e presente na minha vida. E também já falei aqui, aqui, aqui, aqui e aqui sobre a delícia de dançar.
Depois de tentar tocar piano, violão, gaita e acordeon, de finalmente desistir de tocar qualquer coisa, de fazer aulas de ballet clássico, contemporâneo e flamenco, de morrer de vontade de aprender o tango e a gafieira, e de sambar bem bonitinho, modéstia à parte, há dois meses comecei com as aulas de dança de rua. É que minha prima, que dança que é uma lindeza desde pequenininha, foi pra NY fazer curso na Broadway e voltou ensinando pra gente.
E agora, me prometo, dia desses eu me organizo e começo as outras modalidades. Aí, baby, ninguém me segura!
6 de outubro de 2009
4 de outubro de 2009
Well, well, well, Daniel
Porque família é bom demais, e criança consegue ser ainda melhor.
Ele é pequeno, e desde bebezinho sempre foi a simpatia em pessoa! Distribui sorrisos aonde vai, cumprimenta todo mundo, sabe o nome de muita gente, conversa, bate papo, dança. Tem um ouvido e uma sensibilidade pra música incríveis! Canta o hino do Galo inteirinho, e no final ainda completa com E ga-lhe Galo!, com os bracinhos pra cima, comemorando. Passa na porta da churrascaria e diz Tô vendo um cheiro de chuaco!. Vai andar de moto no Vedemer, um bairro daqui de BH mais conhecido como Belvedere. Calça tênzini pra ir pra Tônzunu, onde ele faz ecício, inclusive abdominal e tasson. Vira de costas pra minha prima, e morrendo de rir, com cara de arteiro, diz pra minha irmã Vou soltar pum na cara da mamãe, ouve, dindinha, ouve. Ele conta que o livro é bom pra imaginação, e coloca o dedinho na cabeça, como quem pensa, quando diz isso. Completou dois anos, e um mês antes sempre perguntava Cadê a festa do Dada, pra em seguida ele mesmo emendar a resposta Tá chegando, mas tem que esperar um pouquinho. Se alguém perguntasse o que ele queria ganhar de presente, ele dizia sem pensar que queria uma coisa legal e diferente. E quando a gente queria saber o que ia ter na festa, ele respondia vela e fosfomo, porque eu nunca vi alguém gostar tanto de Parabéns pra você. E é ele mesmo quem completa com o Tubigui, tubigui, tubiguibiguibigui no final.
Ele é pequeno, e desde bebezinho sempre foi a simpatia em pessoa! Distribui sorrisos aonde vai, cumprimenta todo mundo, sabe o nome de muita gente, conversa, bate papo, dança. Tem um ouvido e uma sensibilidade pra música incríveis! Canta o hino do Galo inteirinho, e no final ainda completa com E ga-lhe Galo!, com os bracinhos pra cima, comemorando. Passa na porta da churrascaria e diz Tô vendo um cheiro de chuaco!. Vai andar de moto no Vedemer, um bairro daqui de BH mais conhecido como Belvedere. Calça tênzini pra ir pra Tônzunu, onde ele faz ecício, inclusive abdominal e tasson. Vira de costas pra minha prima, e morrendo de rir, com cara de arteiro, diz pra minha irmã Vou soltar pum na cara da mamãe, ouve, dindinha, ouve. Ele conta que o livro é bom pra imaginação, e coloca o dedinho na cabeça, como quem pensa, quando diz isso. Completou dois anos, e um mês antes sempre perguntava Cadê a festa do Dada, pra em seguida ele mesmo emendar a resposta Tá chegando, mas tem que esperar um pouquinho. Se alguém perguntasse o que ele queria ganhar de presente, ele dizia sem pensar que queria uma coisa legal e diferente. E quando a gente queria saber o que ia ter na festa, ele respondia vela e fosfomo, porque eu nunca vi alguém gostar tanto de Parabéns pra você. E é ele mesmo quem completa com o Tubigui, tubigui, tubiguibiguibigui no final.
3 de outubro de 2009
2 de outubro de 2009
Você Sempre Jovem
É engraçado às vezes parar para pensar em como as coisas são. Acho que acredito em coincidências e elas não têm sido poucas, embora também não venham sendo grandes.
Eu já fui muito radical pra algumas coisas, e isto de certa forma contribuía para que eu julgasse as pessoas bem mais do que deveria. Mas nunca fui de tomar conta da vida de ninguém, que não eu mesma.
Com o tempo e as coisas que vivi, fui aprendendo. Me tornei muito mais flexível e tolerante, continuo tomando conta só da minha própria vida, e definitivamente, não julgo mais. Ninguém. Por nada. Isto não significa que eu não tenha minha opinião. Continuo pensando as coisas que penso, achando erradas as coisas que eu acho, admirando outras tantas. Mas não julgo. Ou, sempre que não é possível, tento. Mesmo.
Hoje eu fui trabalhar com isso na cabeça. Me lembrei de uma conversa que eu tive com um ex-namorado-amigo anos atrás sobre como as pessoas, de forma geral, são mesquinhas. E julgam demais. E tiram muitas conclusões sobre coisas que elas não sabem. Porque quase sempre a gente não sabe da missa a metade. E, cá pra nós, o que cada um sente e pensa é só seu, cada um teve referências diferentes na vida, experiências diferentes na vida, e embora haja um senso comum, o certo e o errado são, quase sempre, muito relativos. Então, mais do que julgar ou estabelecer rótulos, eu procuro entender os outros. E deixá-los à vontade para serem eles mesmos. Mesmo que eu não concorde, mesmo que eu não goste. E mesmo que eu deixe claro que eu não gosto e não concordo. Mas sem julgamentos. Da mesma forma que eu também não gosto de ser julgada, ou não gosto que os outros julguem alguém que eu conheço e de quem eu gosto ou não gosto a partir de alguma coisa que eu disse ou que o outro fez. Porque ninguém aqui é perfeito. E ninguém está dentro do outro pra saber ou adivinhar razões e motivações.
Aí quando eu cheguei pra trabalhar, abri meu e-mail e tinha uma mensagem de um tio meu, com o assunto “Você Sempre Jovem”. Fiquei com preguiça de ler tudo. Era uma entrevista com o médico Mehmet Oz. Fui zapeando, numa leitura dinâmica, as perguntas que fizeram pro cara. E de repente dou de cara com a seguinte pergunta:
Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?
Oz - Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.
Pronto! No que depender de mim, carinha de menina, alegria de viver e sorriso no rosto pra sempre! E cada um na sua...
Eu já fui muito radical pra algumas coisas, e isto de certa forma contribuía para que eu julgasse as pessoas bem mais do que deveria. Mas nunca fui de tomar conta da vida de ninguém, que não eu mesma.
Com o tempo e as coisas que vivi, fui aprendendo. Me tornei muito mais flexível e tolerante, continuo tomando conta só da minha própria vida, e definitivamente, não julgo mais. Ninguém. Por nada. Isto não significa que eu não tenha minha opinião. Continuo pensando as coisas que penso, achando erradas as coisas que eu acho, admirando outras tantas. Mas não julgo. Ou, sempre que não é possível, tento. Mesmo.
Hoje eu fui trabalhar com isso na cabeça. Me lembrei de uma conversa que eu tive com um ex-namorado-amigo anos atrás sobre como as pessoas, de forma geral, são mesquinhas. E julgam demais. E tiram muitas conclusões sobre coisas que elas não sabem. Porque quase sempre a gente não sabe da missa a metade. E, cá pra nós, o que cada um sente e pensa é só seu, cada um teve referências diferentes na vida, experiências diferentes na vida, e embora haja um senso comum, o certo e o errado são, quase sempre, muito relativos. Então, mais do que julgar ou estabelecer rótulos, eu procuro entender os outros. E deixá-los à vontade para serem eles mesmos. Mesmo que eu não concorde, mesmo que eu não goste. E mesmo que eu deixe claro que eu não gosto e não concordo. Mas sem julgamentos. Da mesma forma que eu também não gosto de ser julgada, ou não gosto que os outros julguem alguém que eu conheço e de quem eu gosto ou não gosto a partir de alguma coisa que eu disse ou que o outro fez. Porque ninguém aqui é perfeito. E ninguém está dentro do outro pra saber ou adivinhar razões e motivações.
Aí quando eu cheguei pra trabalhar, abri meu e-mail e tinha uma mensagem de um tio meu, com o assunto “Você Sempre Jovem”. Fiquei com preguiça de ler tudo. Era uma entrevista com o médico Mehmet Oz. Fui zapeando, numa leitura dinâmica, as perguntas que fizeram pro cara. E de repente dou de cara com a seguinte pergunta:
Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?
Oz - Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito. O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante. Costumo recomendar a meus pacientes que procurem as pessoas com quem mantêm uma relação de animosidade e tentem resolver o impasse. Essa é uma atitude para o bem-estar próprio. Não há nada de altruísta nela. É uma atitude egoísta.
Pronto! No que depender de mim, carinha de menina, alegria de viver e sorriso no rosto pra sempre! E cada um na sua...
1 de outubro de 2009
Falando sozinha
Eu ainda não aprendi a ficar calada sempre que eu gostaria - ou deveria. E eu tenho tanta coisa pra falar! Aí essas coisas acabam saindo daqui como posts. Mesmo que eles não tenham nada a ver com elas.
Brown Goodgood
Eu fico impressionada com a criatividade das pessoas. Ou com a falta do que fazer. Sério mesmo.
Tô aqui, de bobeira, peruando na net, vem minha irmã e pergunta: "irmã, vc já viu isso aqui?". Não. Eu não tinha visto. Aí ela me mostra um videozinho no Youtube. P&B, um cara, um violão. Ele começa a cantar. Ela pergunta: "e aí, reconheceu a música?". Bastou. Quando eu vi, já tava lá, do lado, acompanhando em portugês. O cara cantava de lá "we have everythig to make it riiiiiiiiiight, stay with meeeeeee". E eu cantava daqui "a gente tem tudo pra dar ceeeeeeerto, fica comiiiigo". Mas os melhor mesmo é quando ele canta a parte do "tira a calça jeans, bota o fio dental" ou o refrão, "marrom bombom".
Chorei de rir!
E as outras versões também são ótimas. Destaque para "Bring the caçamba".
30 de setembro de 2009
Moving on, moving around
Passei o dia de hoje inteiro ouvindo Kings of Convenience. Todas as músicas, algumas delas várias vezes repetidas. E foi como ler Caio Fernando ou Clarice. Me aquieta e acalma. É paz e vontade de viver, é alegria imensa, mesmo em dia tristes. É dia de sol, mesmo que chova. É F-E-L-I-C-I-D-A-D-E, assim, com todas as letras bem em maíusculas. Sem razão, só por estar aqui, caminhando - ou correndo, a cada passo, mesmo que às vezes aos tropeços.
Cheguei aqui no final da tarde e postei uma, a que reverberou mais forte durante o dia. A que me disse mais coisas, talvez, hoje mesmo.
Agora, passeando pelos blogs de sempre, que estão sempre mesmo de alguma forma aqui no meio de mim, dou de cara com este vídeo.
É, eu também quero morar neste vídeo.
É música alegre e deliciosa, soundtrack de um clip mais alegre e delicioso ainda, mesmo com um refrão tão triste e melancólico. Talvez seja mesmo como a vida - e como isto soa piegas!
Vontade de viajar e ver o mar bem grande, bem bonito, bem quente, bem de pertinho.
Calma, tá chegando, mas tem que esperar um pouquinho.
Eu e ele, de novo!
Eu disse

Eu disse que você ia embora só para voltar de novo.
Eu disse que um dia íamos conversar sobre como as mulheres são problemáticas e discutir porque acho as morenas mais interessantes que a loiras. E você não. E sem ciúmes, sem pontadinha no peito nem nada.
Eu disse que um dia íamos conversar sobre como as mulheres são problemáticas e discutir porque acho as morenas mais interessantes que a loiras. E você não. E sem ciúmes, sem pontadinha no peito nem nada.
Eu disse tanta coisa melhor do que "suma" ou "você é estúpida".
Eu disse que sentia falta de voltar do sítio depois de um dia de sol, ouvindo Maria Rita. E, olha, você também.
Eu disse que sentia falta de passear com nossos cachorros e você sentiu mais falta do meu cachorro do que de mim.
Eu disse que peguei no telefone diversas vezes esses anos todos para te ligar e você falou o mesmo.
Eu disse que você é sagrada para mim como poucas coisas o são. Eu disse que aprendi a viver sem você por pura obrigação mas não por escolha.
Eu disse tanta mentira também.
E eu disse coisas que hoje são verdade.
29 de setembro de 2009
A engenharia da minha arquitetura
Eu sou arquiteta, mas trabalho mais como engenheira de obras. Não deixo de fazer meus projetinhos por fora, não deixo de fazer projetos, detalhes e alterações nos projetos da construtora, não deixo de fazer estudos e croquis. Mas na prática, sou mesmo mais engenheira que arquiteta.
Não vou negar que às vezes sinto falta dos fluxos criativos, das viagens, das formas e cores, das tentativas e desenrolares de traços, do desenvolvimento das idéias e da sua transposição pro computador ou pro papel, de traduzir sonhos e desejos em forma de casa, prédio, escola, museu, loja. Brinco que o blog é até uma forma de dar vazão a este fluxo criativo às vezes sufocado, a maneira que encontro de deixar a arte permear meus dias, de outras formas, e de algumas vezes reencontrar a arquitetura. Não que eu a tenha perdido. Mas os dias me mostram-na de outras maneiras.
Não é raro alguém me perguntar como eu vim parar aqui. Como assim a arquitetura deu lugar à engenharia? E na verdade, ninguém deu lugar a ninguém, elas andam juntas. Arquitetura, a princípio, pra todo mundo, é projeto. Projeto, projeto, projeto. E aí, normalmente, quando a gente forma na faculdade de arquitetura, vai pra algum escritório ou empresa desenhar, desenvolver, detalhar e coordenar projeto dos outros. E isso eu sabia bem que não queria. Achava pouco. A arquitetura anda, de alguma forma, corrompida. Nessa correria dos projetos cotidianos, embora a criatividade seja sempre necessária, a arte talvez tenha se perdido. Até porque, na nossa cultura, ela não é valorizada como deveria.
Então comecei a buscar outras formas de arquitetura. Sempre pensei muito em cenografia. A arquitetura com as cores, a música, os sons, as luzes e o movimento das peças de teatro e de dança. Até hoje eu penso. Mas me apaixonei mesmo por patrimônio histórico. A minha relação com o patrimônio histórico vem muito deste fascínio pela arquitetura, pela arte, pela forma como as duas estão tão interligadas, pela evolução das duas no tempo, pela história, e mais do que isso, pelas pessoas, e pela forma com que a arquitetura e a arte influenciam a vida e o modo de viver e pensar das pessoas, das comunidades, da sociedade. E eu adoro pessoas.
Então comecei na construtora coordenando obras de restauração, de patrimônio histórico, paixão que eu tenho desde antes de ir morar na Itália, e potencializada lá. Sempre meio entrona, atrevida e curiosa, acabei conhecendo de obra, de administração de obra, pedreiro, servente, carpinteiro, bombeiro, eletricista, armador, encarregado, mestre, material, suprimento, orçamento, custo, medição, carta e contrato, subempreiteiro, fiscal e cliente. E das obras de restauração, acabei indo pras obras todas.
E obra também é muito bom, porque é onde você vê as coisas acontecendo. Você vê o que o esforço de um monte de gente junta, de idades, habilidades, humores e origens diferentes é capaz de construir. Você vê as coisas serem, literalmente, construídas, e faz parte disso.
Hoje eu faço uma maternidade. É, não tem o mesmo fascínio do patrimônio histórico, mas é gostoso também. Muito pelas pessoas. E por poder dizer pros meus meninos, olha, já pensou um dia você falar pro seu filho que ele nasceu na maternidade que o papai construiu? Porque as coisas, arquitetura, engenharia, arte, patrimônio histórico, obra, projeto, sonho, construção, poesia, precisam de um significado. Assim como as pessoas.
28 de setembro de 2009
A crônica dos nossos dias (poema em prosa)
(achei tão tão tão bonito. delicadeza tamanha. roubado daqui)
Ah, não queres me ver partir. Teu desejo é tão óbvio, tão pleno. E perigoso. Perigoso porque faço planos, sabes? Planos pra mim, pra ti, pra nós. Cantarei teu desejo, com Beethoven insistente ao fundo, repetindo e repetindo seu viés de sons. Cantarei como cantaria Hilda Hilst, em sua Casa do Sol. Cantarei como cantam as fogueiras nas noites da montanha, cantarei como cantavam as magas, os profetas, os deuses e você. Que minha água transforme-se em vinho, que a ausência se torne presença, que meu corpo seja consumido por esse desejo velado, que tu sejas, que eu seja. E o desejo fez-se boca e a solidão fez-se vida e tu tornou-se eu e eu tornei-me o que tu és, na crônica dos nossos dias. Te vi. Rosa era a minha estada. Te vi, enquanto ensinava os teus. Te vi, simplesmente por te ver. Te ouvir. No vão das horas que não são minhas, nas horas que são de outras, nas horas em que tu estavas lá, junto dos teus. Te vi. O que dizem os olhos castanhos enquanto se espremem entre os cílios das portas da tua alma? Me inspira. Escrevo pra ti. Te observo. Parto e te levo, te vejo nascer de minhas entranhas, de novo. Te crio e recrio. E falo, falo, falo. Te ponho entre minhas paredes. Agora és meu. O corpo frio já se aquece, a respiração é ofegante, os poros expelem o orvalho doce em gotas de calor. Deixe-me te ter nos meus planos. deixe nascer as velhasmudas. O colchão será nossa casa, teu abraço minha morada, tu, meu café e jantar. Vejo cores e sons e odores. Vejo os dias que se foram. Acordo de madrugada. Te chamo. Ouves? É claro que não. Procuro a tua voz nos bares, te tateio nas dobras das portas, nos buracos das fechaduras, como Nelson Rodrigues, espião das moças e dos homicídios, nas páginas policiais dos jornais diários. E tu és o fulano que não se abala. És altivo, em tua casa bem montada. Tens o que precisa, dentro e fora. Sequer me ouve. Sequer me lê. Sequer me vê. E por que deverias? Teus livros e teorias, as pernas e as donas, o cachorro que te lambe, o amigo que te visita, o ordenado que te mantém. Ah, por que deverias? Mas já te vi enrubecer. Sim, abrasado em rumores de um desejo que tornou-se vontade, ato e destino. Da minha semiótica, fez-se o convés. Mas disso não te lembras enquanto passa. Mas disso faz questão de esquecer quando lhe convém. Espero pelo beijo, ele não vem. Espero por ti, menos ainda. Ai de quem expor tua vida de aparências, tua fama de bom moço, de genro dedicado. Transeunte de uma vida de bocejos, desperte. Se teus paradigmas produzem sentido, produza sentido em mim. Vês, teu discurso não convence. Tuas frases fei(t)as, tuas propostas indecentes. Vês, experimento as paixões e o ódio, a raiva de me ver imune aos teus delírios. Vês, teu silêncio me perturba, me subestima. Vês... Minha boca tenta me convencer do contrário daquilo que minha alma já tem como sabido, que eu te amo e que já é tarde demais para procurar verbos e predicados avessos ao deleite que tu és, sujeito da crônica dos meus, dos nossos dias. E o que diriam as cartomantes? És meu cavaleiro de paus, espadas ou de ouros? Ah, mas tua figura não é pano para boleros, não é tema para prosas tristes. Tu não és carne de divã, como eu. Teu palco é outro e lá é aplaudido em tempos reais, tua platéia até comparece. E não é só porque te vi que tenho o direito de tê-lo. Disparate! Esqueçamos os planos, nos detemos aos fatos: meu teatro vivo faliu e o palhaço desiludido volta para a alcova, sem cavaleiro, palco, platéia ou amor. E a maquiagem barata escorre, pela desconjugação dos nossos mundos, dos nossos tempos desencontrados. Estou no reduto dos falidos. Pra onde foi o meu juízo? Foi beber com os rapazes lá no bar. Quem sabe o conhaque disfarce o teu cheiro que ficou em mim. Aquele, com um quê louco de esperança, que meus códigos identificaram logo de cara:
Meu eu lírico quer envelhecer contigo.
É Alice, mas pode ser a gente também!

"Loving, first, loving and gentle: loving as a dog (forgive the prosaic smile, but I know no earthy love so pure and perfect), and gentle as a fawn; then courteous - courteous to all, high or low, grand or grotesque, King or Caterpillar, even as though she were herself a King’s daughter, and her clothing of wrought gold: then trustful, ready to accept the wildest impossibilities with all that utter trust that only dreamers know; and lastly, curious – wildly curious, and with the eager enjoyment of Life that comes only in the happy hours of childhood, when all is new and fair, and when Sin and Sorrow are but names – empty words signifying nothing!"
Alice in Wonderland, Lewis Carroll
27 de setembro de 2009
25 de setembro de 2009
Criança tem cada uma!
Sabe aquela vontade que (quase) todo menino pequeno tem de usar óculos, aparelho nos dentes e quebrar o braço? Pois é. Agora só me falta quebrar o braço.
22 de setembro de 2009
Conversa de Deusa (ou de doido)
- Ela diz:
afrodite andava muito saidinha, atena acabou por lhe dar uma bronca e retomar as rédeas da
situação
- A amiga dela diz:
imagino
atena é tãaaao brava, né?
- Ela diz:
demais
é que deméter e perséfone ainda incentivavam afrodite, então ela tratou de colocar as asinhas
de fora
mas atena já está com o controle novamente
- A amiga dela diz:
atena é demais
mas eu acho que vc é mto afrodite
muito demeter
muito artemis
nada hera
medio persefone
- Ela diz:
tb acho
muito atena, muito afrodite, muito demeter
tanto que elas vivem em conflito
bem artemis tb
médio persefone, tipo, pra algumas coisas
e nada hera. mesmo.
- A amiga dela diz:
mas assim, eu prefiro atena
queria ser só ela
- Ela diz:
é, eu tb
quer dizer, agora que falei já fiquei na dúvida
gosto muito de afrodite e demeter tb
- A amiga dela diz:
afrodite eu gosto
mas ela é meio boba
acho ela meio cabeça de vento
ama demais
e sofre demais tb
- Ela diz:
completamente
- A amiga dela diz:
mas prefiro a sinceridade de afrodite
que a frivolidade de hera
- Ela diz:
isso
não tenho uma preferida
acho que a atena e a afrodite vão brigar pra sempre aqui
- A amiga dela diz:
é pq a atena vê a situação com racionalidade
mas a afrodite insiste em fazer as mesmas burrices
é fogo
- A amiga dela diz:
e fulano?
quem é que gosta dele?
das suas deusas?
- Ela diz:
afrodite
- A amiga dela diz:
será?
- Ela diz:
ai, pensando bem eu acho que nenhuma mesmo
artemis usa o fulano
afrodite tb usa o fulano
atena não suporta essas duas usando o fulano, porque é ela quem aguenta
e o resto não se manifesta
mas gostar, mesmo, nenhuma gosta. certeza.
- A amiga dela diz:
acho que demeter fica com um pouco de pena
- Ela diz:
ficava... mas já passou
atena já a convenceu de que não existe esse negócio de pena
- A amiga dela diz:
tem q ter pena é de vc
de aturar essa mala sem alça
- Ela diz:
por isso que atena fica tão brava com afrodite e artemis
afrodite andava muito saidinha, atena acabou por lhe dar uma bronca e retomar as rédeas da
situação
- A amiga dela diz:
imagino
atena é tãaaao brava, né?
- Ela diz:
demais
é que deméter e perséfone ainda incentivavam afrodite, então ela tratou de colocar as asinhas
de fora
mas atena já está com o controle novamente
- A amiga dela diz:
atena é demais
mas eu acho que vc é mto afrodite
muito demeter
muito artemis
nada hera
medio persefone
- Ela diz:
tb acho
muito atena, muito afrodite, muito demeter
tanto que elas vivem em conflito
bem artemis tb
médio persefone, tipo, pra algumas coisas
e nada hera. mesmo.
- A amiga dela diz:
mas assim, eu prefiro atena
queria ser só ela
- Ela diz:
é, eu tb
quer dizer, agora que falei já fiquei na dúvida
gosto muito de afrodite e demeter tb
- A amiga dela diz:
afrodite eu gosto
mas ela é meio boba
acho ela meio cabeça de vento
ama demais
e sofre demais tb
- Ela diz:
completamente
- A amiga dela diz:
mas prefiro a sinceridade de afrodite
que a frivolidade de hera
- Ela diz:
isso
não tenho uma preferida
acho que a atena e a afrodite vão brigar pra sempre aqui
- A amiga dela diz:
é pq a atena vê a situação com racionalidade
mas a afrodite insiste em fazer as mesmas burrices
é fogo
- A amiga dela diz:
e fulano?
quem é que gosta dele?
das suas deusas?
- Ela diz:
afrodite
- A amiga dela diz:
será?
- Ela diz:
ai, pensando bem eu acho que nenhuma mesmo
artemis usa o fulano
afrodite tb usa o fulano
atena não suporta essas duas usando o fulano, porque é ela quem aguenta
e o resto não se manifesta
mas gostar, mesmo, nenhuma gosta. certeza.
- A amiga dela diz:
acho que demeter fica com um pouco de pena
- Ela diz:
ficava... mas já passou
atena já a convenceu de que não existe esse negócio de pena
- A amiga dela diz:
tem q ter pena é de vc
de aturar essa mala sem alça
- Ela diz:
por isso que atena fica tão brava com afrodite e artemis
20 de setembro de 2009
É, essa é pra você.
Olha, deixa eu te dizer uma coisa. Não, você não me conhece. Se conhecesse, você não dizia as coisas que você disse. Não, eu não gosto de grude, odeio quem pega no meu pé. Não me liga todo dia que eu preguiço de você. E não me cobre. Nada. Nadica de nada mesmo, porque eu não tô te cobrando nada, e muito menos quero que você me cobre. Cuidado com as projeções. Também odeio DR, esse nomezinho danado de feio que inventaram, porque relação nenhuma nasceu pra ser discutida, mas pra ser vivida, e dividida. Mas se eu não me sentir à vontade, também, foi mal, é problema meu. Eu tenho lá minhas razões. E a princípio, elas só dizem respeito a mim mesma. E isso não siginifica começar do zero cada vez que você me vir. E não me importa se semana que vem eu vou te ver ou não. Quer dizer, até me importa, mas eu não vou viver os meus dias em função disso. O que os outros pensam sobre você não é problema seu. Eu tento aprender. E quer saber, eu não tinha nada que dizer nada disso a você, nem a ninguém. Pague o preço. Eu faço as minhas escolhas, você faz as suas. É assim, e pronto.
18 de setembro de 2009
In time, I'll belong to you
Presente da Laura, via msn, pra alegrar minha tarde ensolarada de sexta-feira na frente do computador.
17 de setembro de 2009
Rotativo
No porta-luvas do meu carro há exatamente 86 folhinhas de estacionamento rotativo usadas. Não jogo fora porque cada folhinha destas traz um bônus de meia hora, que eu nunca uso, mas posso querer usar algum dia. O bolo de folhinhas é tão grande que lota o porta-luvas, não cabe mais nem uma pulga lá dentro. Amanhã vão inteirar 87 bônus de meia hora, mais um talão novo com 20 folhas a serem usadas. Daqui a mais ou menos 1 mês atinjo a marca de 107 folhinhas com o tal bônus. Então, BH Trans, tenho uma proposta: vamos fazer o seguinte? Você troca 100 folhinhas usadas com o bônus valendo por 1/2 talão em branco?
15 de setembro de 2009
É bom pra aprender
Eu já falei aqui que detesto salão. Não gosto da maquiagem que fazem no salão, e gosto menos ainda do cabelo que fazem no salão. Vou pra fazer as unhas, cortar o cabelo vez em quando (passei 2 anos cortando meu próprio cabelo) e só.
Mas às vezes parece que a gente não aprende, né?
Sábado teve casamento. As meninas todas iam aprontar no mesmo salão da noiva, com direito a champagne durante o make, e acabei cedendo, mais pela farra, confesso.
Resultado: deixei uma grana preta por lá, saí do salão em cima da hora pra igreja, fui pra casa, molhei o cabelo e deixei secar de novo, sozinho, passei maquiagem por cima da outra, e acabei chegando na cerimônia atrasada.
Valeu pela companhia e pelas boas risadas. Mas só.
14 de setembro de 2009
13 de setembro de 2009
11 de setembro de 2009
10 de setembro de 2009
9 de setembro de 2009
Só na correria...
No meio da correria (de sempre), aproveitei o feriado e fui conferir (de novo) se o Rio de Janeiro continua lindo. E era final de semana de meia maratona, e o pessoal tinha ido pra correr. Eu fui de gaiato, pra passear mesmo, pra ver o mar e pôr o pé na areia. E dois anos depois de ter corrido minha primeira (e única) meia maratona, e depois de não ter treinado quase nadica de nada por mais de ano (minhas últimas corridas foram 3 de 5km com um intervalo de uns 2 meses entre cada uma delas), resolvi correr 17. Quilômetros. Arrumei um número de peito (de um tal de Osmar, que não conheço, e que desistiu de ir em BH por razões que também não faço a mais vaga idéia de quais sejam), peguei a turma no Leblon, na altura do km 4, e fui. Até o final. Resultado: 2 horas e 5 minutos correndo sem andar nem um passinho, a impossibilidade de andar até o banheiro no boteco depois de beber 3 chopps depois da corrida, dois relaxantes musculares, mais algumas dores por aqui, outras ali, e uma satisfação sem tamanho por ter conseguido superar um desafio grande que me impus, e que talvez só eu mesma confiasse que conseguiria. Pode parecer pouco, mas juntando com as ótimas companhias que estavam lá, as visitas aos primos ricos, os botecos e restaurantes, à praia com o céu nublado, e ao sol que fez na segunda-feira, que me fez sentir o sal da água do mar arder nos olhos de 5 em 5 minutos e só ir embora da praia depois do anoitecer, foi tanto, tanto, tanto. E é por essas e por outras que eu não me canso do Rio. E deixo aqui minha música preferida pra correr, que não é Strokes, minha banda preferida pra correr, mas me dá vontade de sair desembestada por aí, e a foto de parte da turma com a máquina apoiada no guarda corpo do terraço na cobertura do flat.
1 de setembro de 2009
31 de agosto de 2009
Exercício de Paciência
Respiro fundo. No final das contas, às vezes acabo me surpreendendo. Às vezes não.
29 de agosto de 2009
28 de agosto de 2009
27 de agosto de 2009
Apostar na alegria
Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza
Dessa coisa que mete medo
Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza
Princesa, surpresa, você me arrasou
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa
Um amor assim violento
Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água
Ondas, desejos de vingança
Ondas, desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza
Princesa, surpresa, você me arrasou
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa
Um amor assim delicado
Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo
Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa
Princesa, surpresa, você me arrasou
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Amiga, me diga...
26 de agosto de 2009
Escrito nas estrelas
O dia que Júpiter encontrou Saturno
Caio Fernando de Abreu
Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. Deram-lhe um copo de plástico com vodka, gelo e uma casquinha de limão. Ela triturou a casquinha entre os dentes, mexendo o gelo com a ponta do indicador, sem beber. Com a movimentação dos outros, levantando o tempo todo para dançar rocks barulhentos ou afundar nos quartos onde rolavam carreiras e baseados, devagarinho conquistou uma cadeira de junco junto a janela. A noite clara lá fora estendida sobre Henrique Schaumann, a avenida poncho & conga, riu sozinha. Ria sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz. Molhou os lábios na vodka tomando coragem de olhar para ele, um moço queimado de sol e calças brancas com a barra descosturada. Baixou outra vez os olhos, embora morena também, e suspirou soltando os ombros, coluna amoldando-se ao junco da cadeira. Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.
Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.
Levemente, para não chamar atenção de ninguém, girou o busto sobre a cintura, apoiando o cotovelo direito sobre o peitoril da janela. Debruçou o rosto na palma da mão, os cabelos lisos caíram sobre o rosto. para afastá-los, ela levantou a cabeça, e então viu o céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Vista assim parecia não uma moça vivendo, mas pintada em aquarela, estatizada feito estivesse muito calma, e até estava, só não sentia mais nada, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco parada assim, meio remota, o moço das calças brancas veio se aproximando sem que ela percebesse.
Parado ao lado dela, vistos de dentro, os dois pintados em aquarela - mas vistos de fora, das janelas dos carros procurando bares na avenida, sombras chinesas recortadas contra a luz vermelha.
E de repente o rock barulhento parou e a voz de John Lennon cantou every dau, every way is getting better and better. Na cabeça dela soaram cinco tiros. Os olhos subitamente endurecidos da moça voltaram-se para dentro, esbarrando nos olhos subitamente endurecidos dos moço. As memórias que cada um guardava, e eram tantas, transpareceram tão nitidamente nos olhos que ela imediatamente entendeu quando ele a tocou no ombro.
-Você gosta de estrelas?
-Gosto. Você também?
-Também. Você está olhando a lua?
-Quase cheia. Em Virgem.
-Amanhã faz conjunção com Júpiter.
-Com Saturno também.
-Isso é bom?
-Eu não sei. Deve ser.
-É sim. Bom encontrar você.
-Também acho.
(Silêncio)
-Você gosta de Júpiter?
-Gosto. Na verdade "desejaria viver em Júpiter onde as almas são puras e a transa é outra".
-Que é isso?
-Um poema de um menino que vai morrer.
-Como é que você sabe?
-Em fevereiro, ele vai se matar em fevereiro.
(Silêncio)
-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.
(Silêncio)
-Como é que você sabe?
-O quê?
-Que o menino vai se matar.
-Sei de muitas coisas. Algumas nem aconteceram ainda.
-Eu não sei nada.
-Te ensino a saber, não a sentir. Não sinto nada, já faz tempo.
-Eu só sinto, mas não sei o que sinto. Quando sei, não compreendo.
-Ninguém compreende.
-Às vezes sim. Eu te ensino.
-Difícil, morri em dezembro. Com cinco tiros nas costas. Você também.
-Também, depois saí do corpo. Você já saiu do corpo?
(Silêncio)
-Você tomou alguma coisa?
-O quê?
-Cocaína, morfina, codeína, mescalina, heroína, estenamina, psilocibina, metedrina.
-Não tomei nada. Não tomo mais nada.
-Nem eu. Já tomei tudo.
-Tudo?
-Cogumelos têm parte com o diabo.
-O ópio aperfeiçoa o real
-Agora quero ficar limpa. De corpo, de alma. Não quero sair do corpo.
(Silêncio)
-Acho que estou voltando. Usava saias coloridas, flores nos cabelos.
-Minha trança chegava até a cintura. As pulseiras cobriam os braços.
-Alguma coisa se perdeu.
-Onde fomos? Onde ficamos?
-Alguma coisa se encontrou.
-E aqueles guizos?-E aquelas fitas?
-O sol já foi embora.
-A estrada escureceu.
-Mas navegamos.
-Sim. Onde está o Norte?
-Localiza o Cruzeiro do Sul. Depois caminha na direção oposta.
(Silêncio)
-Você é de Virgem?
-Sou. E você, de Capricórnio?
-Sou. Eu sabia.
-Eu sabia também.
-Combinamos: terra.
-Sim. Combinamos.
(Silêncio)
-Amanhã vou embora para Paris.
-Amanhã vou embora para Natal.
-Eu te mando um cartão de lá.
-Eu te mando um cartão de lá.
-No meu cartão vai ter uma pedra suspensa sobre o mar.
-No meu não vai ter pedra, só mar. E uma palmeira debruçada.
(Silêncio)
-Vou tomar chá de ayahuasca e ver você egípcia. Parada do meu lado, olhando de perfil.
-Vou tomar chá de datura e ver você tuaregue. Perdido no deserto, ofuscado pelo sol.
-Vamos nos ver?
-No teu chá. No meu chá.
(Silêncio)
-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.
-Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
-Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.
(Silêncio)
-Mas não seria natural.
-Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
-Natural é encontrar. Natural é perder.
-Linhas paralelas se encontram no infinito.
-O infinito não acaba. O infinito é nunca.
-Ou sempre.
(Silêncio)
-Tudo isso é muito abstrato. Está tocando "Kiss, kiss, kiss". Por que você não me convida para dormirmos juntos.
-Você quer dormir comigo?
-Não.
-Porque não é preciso?
-Porque não é preciso.
(Silêncio)
-Me beija.
-Te beijo.
Foi a última pessoa que viu ao sair. Tão bonita que ele baixou os olhos, sem saber sabendo que ela também o tinha visto. Desceu pelo elevador, a chave do carro na mão. Rodou a chave entre os dedos, depois mordeu leve a ponta metálica, amarga. Os olhos fixos nos andares que passavam, sem prestar atenção nos outros que assoavam narizes ou pingavam colírios. Devagarinho, conquistou o espaço junto à porta. Os ruídos coados de festas e comandos da madrugada nos outros apartamentos, festas pelas frestas, riu sozinho. Ria sozinho quase sempre, um moço queimado de sol, com a barra branca das calças descosturadas, querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.
Mordeu a unha junto com a chave, lembrando dela, uma moça magra de cabelos lisos junto à janela. Baixou outra vez os olhos, embora magro também. E suspirou soltando os ombros, pés inseguros comprimindo o piso instável do elevador. Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar. Sorriu olhando em volta.
Não que estivesse triste, só não compreendia o que estava sentindo.
Levemente, para não chamar a atenção de ninguém, apertou os dedos da mão direita na porta aberta do elevador e atravessou o saguão de lado, saindo para a rua. Apoiou-se no poste da esquina, o vento esvoaçando os cabelos, e para evitá-lo ele então levantou a cabeça e viu o céu. Um céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Visto assim parecia não um moço vivendo, mas pintado num óleo de Gregório Gruber, tão nítido estava ressaltado contra o fundo da avenida, e assim estava, mas sem compreender, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco, a moça debruçou-sena janela lá em cima e gritou alguma coisa que ele não chegou a ouvir. Parado longe dela, a moça visível apenas da cintura para cima parecia um fantoche de luva, manipulado por alguém escondido, o moço no poste agitando a cabeça, uma marionete de fios, manipulada por alguém escondido.
De repente um carro freou atrás dele, o rádio gritando "se Deus quiser, um dia acabo voando". Na cabeça dele soaram cinco tiros. De onde estava, não conseguiria ver os olhos da moça. De onde estava, a moça não conseguiria ver os olhos dele. Mas as memórias de cada um eram tantas que ela imediatamente entendeu e aceitou, desaparecendo da janela no exato instante em que ele atravessou a avenida sem olhar para trás.
21 de agosto de 2009
Metade (ou quando as palavras são o melhor presente)
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Metade
From: Laura Henriques
Sent: Fri 8/21/09 8:03 PM
To: ana_guimaraes
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From: Laura Henriques
Sent: Fri 8/21/09 8:03 PM
To: ana_guimaraes
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Amore.
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Esse texto nasceu roubado (do Oswaldo Montenegro), mas nasceu parido da minha cabeça que quis dar ele de presente pra vc hoje. Pode colocar no seu blog, se vc quiser. Se não quiser, fico feliz dele ser parte da sua caixa de entrada. Hoje.
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Love you.
Metade Ana (Oswaldo Montenegro e Laura)
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Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que a Ana grita,
Mas a Laura é silêncio...
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que a Ana grita,
Mas a Laura é silêncio...
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Que a música que eu ouço ao longe ou no IPOD
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a amiga que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque se a Laura é partida
A Ana é saudade... e vice-versa, necessariamente
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a amiga que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque se a Laura é partida
A Ana é saudade... e vice-versa, necessariamente
.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A uma bonitona inundada de sentimentos (e de angústias e dúvidas);
Porque a metade Ana de mim é o que ouve
O que pros outros a metade Laura cala...
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A uma bonitona inundada de sentimentos (e de angústias e dúvidas);
Porque a metade Ana de mim é o que ouve
O que pros outros a metade Laura cala...
.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade Laura de mim é o que penso
Mas a metade Ana é um vulcão...
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade Laura de mim é o que penso
Mas a metade Ana é um vulcão...
.
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque a metade Laura de mim é a lembrança do que fui,
E a metade Ana me ajuda a saber...
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque a metade Laura de mim é a lembrança do que fui,
E a metade Ana me ajuda a saber...
.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque a metade Ana de mim é abrigo
Mas a metade Laura é cansaço...
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque a metade Ana de mim é abrigo
Mas a metade Laura é cansaço...
.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade Laura de mim é platéia
E a metade Ana é canção...
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade Laura de mim é platéia
E a metade Ana é canção...
.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque a metade Laura de mim é amor
E a metade Ana... também.
Porque a metade Laura de mim é amor
E a metade Ana... também.
VIDA
from Lenora Guimarães
to ana guimaraes
date Thu, Aug 20, 2009 at 11:54 PM
date Thu, Aug 20, 2009 at 11:54 PM
subject VIDA
O altar no centro marca o inicio. Toalha branca que apoia velas e flores... begonias vibrantes em vermelho e laranja. Vermelho, vibrantes... Vi você Aninha, na sua força vital, na sua beleza, na sua alegria de viver. E falei de você e do seu aniversário e disse que eu estaria bem aqui celebrando sua vinda e que tinha certeza que você também estaria bem celebrando daí sua vida.
O altar no centro marca o inicio. Toalha branca que apoia velas e flores... begonias vibrantes em vermelho e laranja. Vermelho, vibrantes... Vi você Aninha, na sua força vital, na sua beleza, na sua alegria de viver. E falei de você e do seu aniversário e disse que eu estaria bem aqui celebrando sua vinda e que tinha certeza que você também estaria bem celebrando daí sua vida.
E hoje, após o trabalho do dia, numa volta pelos jardins, colhi painas recem nascidas da paineira e com elas fiz um pompom e vi você. Nasceu fofinha e branquinha... em minhas mãos te senti e te acarinhei.
E vi negras jaboticabas lindamente arranjadas nos troncos firmes e te vi em seus vestidos e blusas tão graciosa... e senti uma fragrancia vinda da noite em meio a coachar de sapos e grilos e era um perfume inebriante e misterioso pois não sabia de onde vinha... mas te senti.
Presente na vida, presente na nossa vida e fui feliz esta noite e sou feliz por voce.
E do meu coração, filha, nasce uma bençao, cresce uma prece sem pressa, de que você possa continuar passo a passo, também sem pressa, com calma confiança e alegria desvendando todos os segredos do seu coração e partilhando amor, que isto com certeza é realidade na sua vida e no seu ser.
Que se cumpra cada vez mais na sua vida o amor a si propria, o amor à familia, o amor ao trabalho, a realização da expansão de conhecimentos, a criatividade e a entrega à guiança da sua alma e do seu melhor para cumprir seu destino de união.
Tenho certeza de que você é feliz e se responsabiliza por isto. Vá em frente, sonhe, deseje, flexibilize-se, abra-se, abrace-se, celebre, viaje, ilumine-se, silencie, vibre, descanse, pinte e borde, gargalhe, me abrace, deixe que eu te dê colo, deixe que eu te faça um cafuné, que eu cheire seu cangote há muito sem cheiro de leite mas com cheiro de mulher - perfumada, feminina, amorosa.
Deixe que eu te acenda as velas e sopre com toda força de seus pulmôes as chamas que acendem sua juba dourada e adorada do poder criativo em você.
Te amo, te amamos, parabéns.
Amor, mamãe... e papai... e Larinha... e Lulu....e....e.....e.....e.....e.....e......e......e......e... o mundo, feliz de te ter.
20 de agosto de 2009
18 de agosto de 2009
15 de agosto de 2009
Como a primeira vez
Quando fiz curso de história e crítica de cinema, tinha um professor que falava que morria de inveja de quem nunca tinha visto Casablanca ou E o vento levou. Porque estas pessoas iam ter o prazer de assistir a estes filmes pela primeira vez, coisa que ele não teria mais. Porque as coisas, quando acontecem pela primeira vez, têm um impacto diferente, têm um sabor diferente, têm uma emoção diferente. E eu que até concordo. Na época, super concordei. E depois desta, sempre que alguém comenta sobre alguma coisa parecida, eu me lembro deste professor. Como quando outro dia minha avó contou que tinha comido um bombom, ficou com vontade de comer outro, comeu outro, mas depois se arrependeu, porque o segundo não teve a graça do primeiro.
Mas hoje eu discordei disso tudo. Porque eu fui ver um show que eu já tinha visto - cinco anos atrás. The Beatles Songs, da Cia Filarmônica de São Paulo. E, sério mesmo, eu não lembrava como é bom!
E aí eu decidi que eu quero sempre assim: as coisas têm que ter graça sempre, na primeira ou na milésima vez. Como o frio na barriga e o coração disparado do começo de namoro, mesmo depois de anos de relacionamento.
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