Então. Faz assim. Faz de conta que hoje não é o último dia. É sexta, tem o final de semana, daqui a pouco a segunda tá aí, e começa tudo de novo. Ou então, uma semana, uns quinze dias, uma viagenzinha rápida, como se fossem as férias, não diz que é pra sempre, não pensa que é pra sempre. Eu volto, pode esperar. Fica mais fácil assim, sabia? Tá, eu sei que é mentira, e que as despedidas são necessárias. O novo só vem mesmo quando a gente se desfaz do antigo. Mas é que assim eu não dou conta. Assim eu vou chorar, não quero. Tá, não consigo. Ainda bem que tem essa conjuntivite. Disfarça.
- Quando é pra viajar, eu acordo cedo com o dia ainda escuro sem reclamar;
- Eu amo aeroporto, mas só se for pra entrar num avião;
- Tomar chuva sem a preocupação de se molhar é muito gostoso;
- Apagar as luzes e começar o show exatamente na minha vez de buscar cerveja foi um grande erro de timing;
- Foi a coisa mais linda ver tantas luzinhas vermelhas no céu piscando;
- Nunca apanhei tanto na vida (pessoas que medem 1,58 m não foram feitas pra multidões);
- O melhor lugar pra ver o show é no fundo da pista - dá pra enxergar tudo direitinho, mesmo pequenininho, sem um monte de cabeção na frente, dá pra sentir um ventinho no rosto, tem bastante espaço pra dançar e a cerveja é fácil de pegar;
- A expectativa nem sempre é a mãe da decepção;
- Ainda bem que existem cavalheiros bem dispostos a colocar uma dama nos ombros;
- O show foi perfeito, pena que as duas horas em que eles tocaram só duraram cinco minutos;
- Rock'n'roll é bom demais;
- Qualquer striptease pode ser muito divertido;
- Eu amo fogos de artifício;
- Tínhamos um personal paparazzo, mas ainda não tive acesso às fotos pra postá-las aqui;
- O time do Galo é uma vergonha, eu sei, mas mesmo assim eu sou apaixonada, o Galo é lindo, e é de arrepiar ouvir o hino cantado pelos belorizontinos saindo pelos corredores do estádio de outro time, em outra cidade;
- Cheguei do Morumbi na dúvida se colocava minha meia na roupa suja ou na lixeira;
- Tomar chopp no mercado municipal de São Paulo é ótimo, pena que a ressaca só me deixou beber água;
- Nunca comi tanto hamburguer de microondas em tão poucos dias;
- Queria mais bares com chopp Guiness em BH, mas até lá meu bolso agradece;
- A depressão pós viagem às vezes pode começar um pouco antes da hora;
- Minhas panturrilhas doem até hoje, e eu nem lembrava de ter pulado tanto;
- Não tiro da cabeça o refrão ela tem gonorréia, assim, em português, depois de ouvir um amigo cantando e dançando exaustivamente na madrugada das ruas de São Paulo sua versão traduzida de the jack, e rio sozinha quando refaço a imagem na cabeça;
Não, eu não tô sumida do blog. Só tô mais introspectiva, sabe? Mais observadora, espectadora, aguardante.
Nestes dias, questiono muito, sabia? Mas prefiro guardar as respostas (ou as dúvidas) pra mim.
Algumas mudanças estão por vir, e elas não têm nada a ver com o fim do ano que se aproxima, ou com o começo de outro que vem em breve. Mas são mudanças, e assim, expectativa.
Leio, assisto, escuto, aguardo. Paciente. Porque às vezes é hora de fazer as coisas acontecerem. E às vezes é hora de ver o que você fez acontecendo.
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Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair
Faíscas das britas e leite das pedras.
Acordo;
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
Acordo;
O prédio, pedra e cal, esvoaça
Como um leve papel solto à mercê do vento e evola-se,
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido
Acordo, e o poema-miragem se desfaz
Desconstruído como se nunca houvera sido.
Acordo! os olhos chumbados pelo mingau das almas
E os ouvidos moucos,
Assim é que saio dos sucessivos sonos:
Vão-se os anéis de fumo de ópio
E ficam-me os dedos estarrecidos.
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
Sumidos no sorvedouro.
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita
O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando, afinam e desafinam.