Tenho falado menos. E escrito bem menos também. Talvez pela falta de tempo, desculpa mais recorrente. Talvez porque o próprio tempo tenha ensinado a calar quando o que mais importa é sentir. Talvez porque a dor seja a matéria prima principal das palavras, e ela, a dor, não anda lá tão presente assim nos meus dias. Talvez porque eu me sinta cada vez menos à vontade em me expor. Talvez porque a quem minhas palavras devem chegar, elas encontrem de outras formas.
Mas hoje a saudade me fez diferente. A saudade de você me fez ter saudade de escrever. A saudade de te ver, ao vivo, olhos, boca, pele, cheiro, calor. E quando eu não posso falar do jeito que eu quero, normalmente é assim, eu escrevo.
Sabe, os últimos meses, semanas, não têm sido fáceis. Tá, eu sabia que não ia ser fácil. Mas, juro, também não pensei que às vezes fosse ser tão difícil. Porque na hora, a gente não pensa na tristeza. Eu não pensei na minha saudade. A gente pensa na alegria. E eu fiquei tão feliz por você, pelos seus desafios, pelas conquistas que estavam por vir, pelo seu crescimento, pela sua realização, pela oportunidade que estava ali, na sua frente, que não tinha lugar pra nem uma pontinha de coração apertado que a distância pudesse trazer. E ela, a distância, é cruel. Aos pouquinhos, potencializa a falta que você faz. Assim, psicologicamente, muito mais que o tempo, às vezes. E você faz falta, viu...
Faz falta te ver, te fazer carinho, te abraçar. Faz falta ficar quietinha no seu colo. Faz falta sentar à mesa para comer com você à noitinha e te contar como foi meu dia. Faz falta deitar pra dormir encaixado, agarrado. Faz falta ver um filme aninhada no seu peito. Faz falta passear de mãos dadas, tomar sol do seu lado, nadar com você no mar ou na piscina. Faz falta seu beijo. Faz falta seu cheiro. Faz falta te ouvir, te ver, saber como você está, agora, a qualquer hora, ao vivo. Até ccosquinha faz falta!
Mas eu fico aqui, falando das minhas saudades, sem coragem de falar em tristeza, que é pra não estragar essa alegria toda que, graças a Deus, sempre teima em existir. Até porque, se vez ou outra já é difícil pra mim, imagina então pra você, que além da saudade, ainda tem um milhão de outras coisas pra pensar? Se a gente tem saudade, é porque existe alguma coisa que, mesmo longe, vale a pena.
Calma aí que eu tô chegando... Faltam dois dias!!
Afino e Desafino
20 de março de 2012
29 de julho de 2011
O amor é bem facinho
Ivan Martins
Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?
Eu suspeito que não.
Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.
Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?
Minha experiência sugere o contrário.
Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.
Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.
Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?
Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?
Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?
Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.
Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?
Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
Eu suspeito que não.
Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.
Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?
Minha experiência sugere o contrário.
Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.
Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.
Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?
Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?
Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?
Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.
Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?
Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
9 de fevereiro de 2011
Da série "Coisas Que Só Acontecem Comigo" (ou "Eu Não Tenho Vocação Para Amante")
1. Você sai com seus amigos. Conhece um cara super bacana. O cara te olha a noite inteira e passa horas conversando com você. Ele é o máximo, você fica toda apaixonada. Você fica com ele. Na hora de ir embora, ele te diz que é noivo e vai casar.
2. Você adorava um cara, e vocês até tiveram um caso, que acabou. Você fica sabendo que ele está namorando com outra. Encontra com ele numa festa onde certamente ela estaria, mas ele está sozinho. Ele se derrete a noite toda por você, e você tem certeza que ele terminou. Você fica com ele. No dia seguinte, ele te conta que a namorada está viajando e volta dali a uma semana.
3. Você sai pra um lugar diferente e encontra um velho conhecido de anos atrás. Vocês conversam a noite toda, ele paga a cerveja, faz mil elogios, te pede pra não ir embora. Vocês dançam juntos. Você fica com ele. Na semana seguinte, ele te liga e manda mensagem com frequencia chamando pra sair, vocês saem, e ele te conta que é casado.
Ps1: você, no caso, sou eu.
Ps2: não, eu não tenho a menor vocação pra amante.
Ps3: não dá pra avisar antes, não, hein, pessoal?
19 de janeiro de 2011
Terapia de buteco
As pessoas às vezes cismam que elas não têm importância, e acabam dando importância demais pros outros. Se amam nada, e acham que admitir um erro ou pedir desculpas é decretar o próprio fracasso. Enxergam os defeitos do mundo todo, mas são incapazes de olhar pro próprio umbigo, e exatamente por se acharem um lixo não têm um pingo de humildade diante dos outros. Passam pelos dias por pura inércia, trabalhando, dormindo, comendo, tomando remédio pra dor de cabeça, sem se darem conta de como essa vida é boa, mesmo cheia de problemas e coisas que não nos agradam. Reclamam de tudo, sem perceber que elas têm emprego, dinheiro, casa, carro, família, saúde, amigos, admiração e conhecimento, enquanto outras viram a chuva levar tudo o que elas tinham e não reclamam de nada. Não, eu não acho que o mundo é perfeito, nem que as pessoas são perfeitas, a começar por mim mesma. Sim, eu sei que sei muito pouco sobre a vida e sobre tudo, e que eu ainda tenho muito o que aprender, muito o que errar, muito o que viver. Mas eu sei também que por mais defeitos que os outros (eu incluída) tenham, todo mundo (eu incluída) também tem um milhão de qualidades, e é preciso estar disposto a saber enxergá-las. E eu me sinto realmente bem e feliz se alguém que se sente o cocô do cavalo do bandido e não conhece nem a pulga que mora atrás da minha orelha se sente à vontade pra me falar o que tem lhe tirado o sono ou causado aquela dor nas costas. Mais ainda, se eu percebo que de alguma forma, do alto dos meus 1,58m e da minha ignorância, eu consigo fazer com que esse alguém pare pra pensar um pouco no quanto viver é desafiador, mas vale a pena. E contribuo pra que esta pessoa se sinta mais querida e confiante, ou pelo menos tenha uma boa noite de sono.
Boa noite, morcego! E, sério mesmo, te cuida! Teoria da conspiração pra cima de mim, não...
8 de janeiro de 2011
Transmimento de pensação
Eu tirei umas feriazinhas, mas continuo cansada. Acho que é porque depois que eu voltei, já deu tempo e trabalho de cansar de novo. Acho que é porque eu tenho me perdido de mim mais do que eu costumava, às vezes. E ando com saudades de um monte de coisas que eu fazia e adorava. Ok, hora da retomada. Ano novo, boa hora pra começar - e recomeçar. Escrever, por exemplo.
Mas como é que eu escrevo uma coisa nova, se eu chego aqui e descubro um monte de coisas que já escreveram por mim?
27 de dezembro de 2010
14 de dezembro de 2010
Patrick

Tenho um afilhado novo. Quando entrei lá, não quis escolher o sexo ou a localidade do meu afilhado. Pra que eu ia preferir uma criança ou outra? Porque não todas? Ou qualquer uma? Minha mãe tem uma teoria que diz que cada um de nós, ou a nossa alma, ou o que quer que seja, escolhe a família onde quer nascer. De acordo com esta teoria, eu escolhi nascer aqui, onde eu nasci, do pai e da mãe que tenho, com as irmãs que tenho, os avós que tenho (tinha), os tios, tias, primos, etc, etc, etc, que tenho. E eu sempre pensei que essa teoria deve ter um furo qualquer, porque se fosse assim, quem escolheria nascer na favela? Quem escolheria nascer miserável? Quem escolheria nascer numa família que não tem amor, que não tem o que comer, que não tem onde morar? Quem escolheria nascer num lugar onde houvesse violência? Eu simplesmente não conseguiria escolher meu afilhado. Menino? Menina? De qual região do país? E se tivesse foto? Eu ia olhar praquela carinha e dizer "não, esse não, quero outro"? Então não escolhi nada. Nem sexo, nem localidade, encontrar uma criança, e pronto. Todas elas precisam, então deixe que elas, ou o site, que seja, me escolham. Me veio o Patrick. De alguma forma o Patrick, hoje, me escolheu. Diferente de todas as outras crianças que vi (depois) no site, não tinha nenhuma descrição da família do Patrick ou da história dele. Maiores detalhes serão enviados depois. 30 dias. O Patrick mora no Rio (não sei se nascido lá), e faz aniversário hoje. Completa 11 anos, já que é de 14/12/1999. Não consegui mandar minha mensagem de Feliz Aniversário pro Patrick hoje, e também não sei se vou conseguir mandar uma mensagem de Feliz Natal ou um presente a tempo até semana que vem. Mas queria dizer ao Patrick, obrigada por ter me escolhido. Obrigada por fazer parte da minha vida a partir de hoje. Me desculpe por não ter entrado na sua vida antes. Sempre há tempo. E parabéns pelo seu aniversário! Que eu possa ajudar a fazer os próximos anos da sua vida melhores que os 11 que se passaram. Você, com certeza, começa a fazer melhores os meus.
12 de dezembro de 2010
29 de novembro de 2010
22 de novembro de 2010
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