22 de fevereiro de 2010

Pleito

Me pediram um favor. Um serviço rápido. Um negócio que só eu posso fazer, porque depende de um histórico que só está na minha cabeça, em nenhum outro lugar. Já deve ter um mês. E não consigo. Não consigo. Porque eu chego em casa, depois de passar o dia todo ou a semana toda na frente do computador, e não quero continuar na frente do computador, não quero continuar na frente do computador trabalhando. Quero ouvir música, ler blogs, livros, e-mails, ver filmes, vídeos, peruar por aí, tomar banho, comer, dormir. Quero sair pra bater papo e tomar uma cervejinha, ir pro clube, ao cinema, um pub com show de rock, um sambinha. Fim de semana no Rio, fim de semana em Ouro Preto, fim de noite na minha cama.
Hoje não tem escapatória. Não adianta desviar a cabeça, viajar na maionese, inventar história. Volta, Ana. Senta aqui e acaba com isso de uma vez, que pelo menos você fica livre.
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(suspiro)

20 de fevereiro de 2010

Às vezes eu dispenso as redes de proteção... E me estrepo!

Em tempos de pouca inspiração, muita preguiça e alguma angústia, escrevo pouco, falo pouco, sinto muito. E roubo o que acho que, de alguma forma, me ajuda a explicar.
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"O gran finale define toda relação? As parcelas singelas de dissecação do sapo enquanto príncipe. A platitude de não ir além de um breve e definitivo tchau. A gente sabe as amarras que nos prendem. A primeira missão, a de destruir todas imagens. Nenhum menor retrato que traga de volta o passado ao presente. Em matéria de esquecimento, um especialista contumaz. Apagar olhinhos e mãos de afago. Ficar a cru saboreando o indigesto, como quem engole a seco. Quanto a experiência em trapézio, nunca dispensei a rede de proteção. Sou dono de todos os meus sentimentos. Eles me pertencem, e guardo-os como posso, para ordená-los em palavras efêmeras que sabem a agridoce. Sentimental até o osso, mas que só chora em melodramas baratos e kieslowski difíceis. Quando tudo é uma fração, o que sabemos do todo? Sobre os não-ditos, o que se irá dissertar? À favor da eutanásia, porque gostar assim de prolongar a angústia? É que a gente também vicia no difícil, apegando-se no que já se esvaziou só pensando na esperança de fazer renascer o tempo que foi bom. (Quem ama, desliga os aparelhos?). Crer na vida post mortem? Na ressurreição ao terceiro dia?"

18 de fevereiro de 2010

11 de fevereiro de 2010

Nada como um dia 11 pra combater chá de sumiço

Pronto! Não tem jeito! Às vezes eu até dou uma sumidinha, corro, preguiço, me falta tempo, poesia, vontade, e fujo do computador nas horas vagas. Mas todo dia 11 eu tô aqui. Tem até despertador no celular pra me lembrar!

2 de fevereiro de 2010

Estréia

Galo x Tupi é o jogo oficial das crianças. Pelo menos eu acho assim.

Há pouco mais de vinte anos atrás, foi num Galo x Tupi que eu e Lara fizemos nossa estréia no Mineirão. Não lembro de muita coisa. Lembro que tava vazio. As arquibancadas eram arquibancadas mesmo, não havia aquelas cadeirinhas que têm hoje. Cadeirinha era só no setor de cadeira mesmo, e era de ferro, não de plástico. Em jogo vazio, dava pro pessoal se esparramar pelas arquibancadas, encostar as costas no espelho do degrau de cima, quase deitar no piso do próprio degrau, e ainda botar as pernas descendo pro degrau de baixo. Pra quem já era grande, claro. Vovó levava sempre a almofada do Galo que ela tinha, pra ficar mais confortável. Depois era eu tio quem levava. Aliás, vale contar que ela tinha cadeira cativa, mas ia de arquibancada pra dar renda pro Galo. E que na minha estréia, esse tio também estava lá. Lembro de tomar picolé e comer chips, coisa que até hoje eu faço no Mineirão. E lembro que foi a primeira vez (talvez a única) que eu voei. Isso. Mesmo com tipo duas mil pessoas no estádio, calhou de ter uma briga de dois velhos bêbados e barrigudos (pelo menos é assim que eu me lembro deles) bem do nosso lado. Em uma fração de segundos, papai me catou num braço, catou Lara no outro, e correu uma distância boa em pouquíssimo tempo, sem que nos déssemos conta do que realmente acontecia ali. Só me lembro pendurada no braço dele, correndo, voando. E indo parar láaaaa na frente, onde tava ainda mais vazio, e mais tranquilo.

Domingo agora teve de novo. Galo x Tupi. Um amigo meu ia levar o sobrinho de quatro ou cinco anos pela primeira vez. Fiquei com preguiça, tava com sol, inicinho do campeonato mineiro, resolvi ir pro clube. Mas aí fiquei sabendo que o Daniel ia. Pela primeira vez. Aí não resisti. E chegando lá, eu vi que como ele e o sobrinho do meu amigo, tinha mais uma porção de crianças indo pela primeira vez ao estádio. Aí eu oficializei: Galo x Tupi é o jogo das crianças.


* Enquanto as outras fotos não vêm... Vai essa, de celular!