17 de março de 2009

Pra Quem Eu Conheço (bem)

Tá bem, eu admito, sou brava mesmo. Nasci assim. Acho que ao longo dos anos fui aprendendo a ser mais tolerante, mais flexível, mais tranquila, mas continuo batendo o pé quando precisa (ou quando eu acho que precisa).
Quando eu tinha uns três anos, minha mãe foi a uma palestra de um amigo dela. Na hora de buscá-la, meu pai me levou com ele. Enquanto esperávamos minha mãe arrematar uma conversa (e minha irmã diz que quando ela arremata uma conversa, começa outra), encontrei num cantinho da sala o aparelho de som, com todos os seus botões, bem na mira dos meus dedinhos curiosos. O palestrante amigo da mamãe veio e falou sério: "Não mexa". Bastou pra eu encará-lo com as mãozinhas na cintura, o olhar fulminante e a boca em bico, desafiadora. Nesta ocasião, ele falou pra minha mãe (longe de mim) - "Essa aí vai te dar trabalho". Na mesma época, meu pai me levou um dia pra tomar uma vacina. Era uma agulhadazinha no bumbum. Cheguei lá, deitei de bruços no colo do meu pai e a moça explicou: "Vai doer um pouquinho, você vai sentir uma picadinha, como se fosse uma formiguinha". Respirei fundo, com o mesmo olhar desafiador e a tromba amarrada, e não disse um "ai". Se for pra doer, ok, eu aguento. Se fazia arte e levava bronca, também não perdia a pose.
Tenho dois ex-namorados que diziam que eu era muito brava. E outros dois que não acreditavam quando eu dizia que às vezes eu era meio bravinha. Tenho um colega de trabalho que diz que eu não tenho noção do tanto que sou brava. Mas ao mesmo tempo sou a mais brincalhona e carinhosa que existe. É porque além de brava, eu sou muito, muito doce. Sou muito carinhosa mesmo, chorona, sensível. Se for pra brigar, enfrento. Mas se for pra amolecer, ahn... Aí já era...
Acho que neste ponto eu pareço bem com meu pai, leoazinha, leãozinho, fera, feroz, mas dócil, gatinho ronronando querendo um chamego. O olhar incisivo e o jeito de falar curto e grosso (só quando me dão motivo - que fique bem claro), mas o abraço sempre apertado pra cumprimentar ou despedir, o beijo de boa noite, os cartões decorados cheios de poemas, a vozinha mansa e os agrados fora de hora só pra receber um sorriso de volta.
Deve ser por isso que mesmo brava e teimosa, cabeça dura e cheia de mim, eu fico com o coração apertadinho e a cabeça preocupada quando brigo com alguém - o que é raro - mesmo quando tenho certeza de que tenho a razão (é, nem sempre isso acontece, eu erro também). E como orgulho não é verbete do meu dicionário, do mesmo jeito que não tenho problema algum em pedir desculpas quando reconheço que errei, também não hesito em ser a primeira a ligar mesmo quando estou certa, empunhar a bandeira branca e dizer: "Olha, tudo bem, eu fiquei chateada, não concordo com você, acho que você pisou na bola, você exagerou, mas isso tudo é uma bobagem, é tão pequeno, não tente me convencer que o erro foi meu, mas também não vou tentar te convencer do contrário, vamos esquecer tudo isso e pronto? Paz?"
Hoje não deu. Ficou tarde. Mas amanhã sem falta eu ligo. Porque eu já aprendi um bocado de coisas mesmo. Mas ainda tem um monte pr'eu aprender.

Um comentário:

Ivinha disse...

nossa, as vezes fico pasma com o quanto nos parecemos...
te amo!!!!! do jeitinho que vc eh!!! nesse seu jeitinho especial de ser... brava e carinhosa... forte e fragil... e aprender eh o que mais temos a fazer mesmo, nao eh? sempre com muito amor no coracao, muita energia positiva, muita vontade de vencer... e vamos que vamos!!! beijo amiga!!! amo demais da conta!! muito mais, nao tem jeito!!! ;)