Das tantas coisas que tenho aprendido com as muletas, talvez a mais bonita delas seja: elas sossegam quando se abraçam.
Sim, é difícil colocá-las de pé, principalmente no começo, quando a gente ainda não está habituada. A gente fica procurando as quinas, as beiradas, os cantos, apoiando no tampo da mesa, segurando no braço, enroscando na perna, tentando dar um jeito. Aí basta um esbarrão (ou um esbarrinho), uma brisa, até um olhar, e pronto! Elas caem!
Aí vem alguém pra ajudar, oferece pra pegar as muletas, pra guardá-las, pra deixá-las ali, ó, e é um sufoco só. A pessoa põe de um jeito, põe de outro, cai uma muleta no chão, segura a outra, cai outra vez, pega de novo, gira pra cá, arreda pra lá, apoia de um lado, cai mais uma vez.
Com o tempo (e não foi muito), aprendi que não precisa de tanto, canto, quinta, beirada, nem nada. Basta um abraço. É uma de frente pra outra, ou até meio de ladinho, bracinho com bracinho, ponta com ponta, encaixe perfeito. Aí, meu bem, não há parede reta ou mureta que resista! O mundo pára pra que elas fiquem de pé.
Quando se abraçam, elas não precisam de mais nada.
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