Quando a gente era pequena, cada final de semana era um passeio diferente: Mackenzie, Parque Mangueiras, Praça da Liberdade, Praça do Papa, Parque das Mangabeiras, cachoeira em Rio Acima, zoológico, Museu de Arte da Pampulha, Parque Municipal...
Confesso que de todos estes, o que eu menos gostava era o Parque das Mangabeiras. Não que eu não gostasse. Mas é que se eu pudesse escolher sempre, acho que lá não seria a minha primeira escolha. Não tinha lugar pra nadar, o piso não era bom pra andar de bicicleta nem de patins, não tinha tobogã pra descer sentada no saco, nem minhocão, nem carrinho de bate-bate, nem trem fantasma, nem nada. Tá, tinham as trilhas, que eram super legais. As nascentes, as quadras, as pistas de skate. Os bichos que a gente via pelo caminho. Tinha o teatro de arena, que às vezes tinha uma peça bacana. Tinha a cama elástica, claro, com um monitor que no final punha a gente deitada com as mãos na barriga, dava um pulão pra gente voar e pegava a gente no ar, que dava um frio na barriga e era das coisas mais divertidas do mundo. E lembro também de uma vez que tinha um castelo do He-Man montado na Praça das Águas, com uns labirintos e tal, mas lembro de longe, assim, e lembro que eu achei tão legal, que eu queria até lembrar melhor. Mas enfim, o que eu lembro era que mesmo com todos estes atrativos, o Parque das Mangabeiras nunca foi meu passeio preferido de fim de semana.
Dia desses, no fim de semana, acordei cedo e o dia tava lindo. Porque se o ar seco pode ter uma vantagem, a vantagem é essa: a garganta arranha, mas os dias são lindos. De um céu tão azul que chega a ser falta de educação. Resolvi ir matar as saudades do parque, assim, uns vinte anos depois de não ter voltado mais lá. Neste dia, preferi ouvir as folhas das árvores no silêncio do vento aos meninos quando jogam bola no clube. Escolhi ver o azul do céu com o verde das árvores, ao invés do azul da piscina olímpica. E sentir o cheirinho de mato, que não é como o cheiro do mar, mas também faz um bem danado!
Tão bom lembrar dessas coisas tão simples, e tão boas, e que estão tão perto, a cinco minutos de carro ou guardadas num cantinho da memória, e que a gente esquece...
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