3 de setembro de 2010

Eu de novo

Não tem jeito. Já tou eu aqui, de novo, escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo o que eu passei a semana toda ensaiando dizer, repetindo pra mim, falando sozinha, decorando, pra ver se assim eu esqueço, eu finjo que já falei, eu entrego, eu descarrego, eu sossego. É que eu já vi esse filme com direito a replay um milhão de vezes. Eu já sei o que acontece no final. Eu já sei direitinho o que acontece no fim da história, e não gosto nem um pouco dele. Mas não sei porque, não consigo apertar o stop. E fico aqui, vendo o mesmo filme, de novo. Acho que é porque eu não gosto do fim da história, mas da história eu gosto. E gosto tanto, que vejo de novo pensando que vai que mudaram o fim da história, hein? Vai que desta vez o final do filme é outro? Mas não. E às vezes eu nem percebo que o filme acabou, e continuo assistindo, esperando o final, beeem depois dos créditos...
Desta vez não. Chega, stop. Alguma coisa eu tenho que aprender. Alguma hora eu tenho que aprender. Não é assim que eu quero, não é isso que eu quero. Vamos combinar o seguinte: eu não te procuro mais, prometo, tento, juro que vou conseguir, mas você também não, ok? Pelo menos não até que seja só sim, sim, sim. Enquanto for talvez, depois, me dá um tempo, estou confuso, você sabe, é não. Combinado? Se for sim um dia, só sim, tudo sim, sempre sim, aí sim. Mas tem outra coisa: eu não posso ficar aqui, parada, esperando o sim, enquanto ainda existir o talvez, o depois, me dá um tempo, estou confuso, você sabe. Pra mim, a partir de agora é não. De hoje em diante, eu vivo assim: é não. E você trate de não achar ruim pelo que pode acontecer nesse meio-tempo, se um dia você resolver que é sim. Porque você está confuso e quer um tempo, e eu te dou todo o tempo do mundo, até porque não me resta outra opção, mas eu também não tenho tempo a perder. Eu já perdi demais.
Já fiz tudo o que eu podia, mais do que devia. Eu quero você, você sabe, eu já disse. Eu gosto muito de você, você sabe, eu já disse. Eu tenho muita coisa pra viver com você, você sabe, eu já disse. Você também já disse muito. E eu gostei muito do muito que você já disse. Eu acredito em você, acredito em nós dois, acredito que realmente vale a pena. Mas eu não posso ter esta certeza sozinha. Eu preciso que você também queira, e que você acredite. E mais do que você queira, que você acredite e que você diga, eu preciso que você seja. Porque a gente é muito mais as nossas escolhas e o que a gente faz com elas, do que o que a gente sente ou o que a gente diz. Quase sempre.
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4 comentários:

Lu_menininha disse...

vc escreve lindo. dá pra ver vc falando.

Jane Abrita disse...

E eu te entendo Ana, como talvez fosse um filme meu.

Fafá disse...

impressionante. Vc sempre lê meus pensamentos. Sinto sempre a mesma coisa. Parabéns por nos tocar assim. Um beijo, fabiola.

Raphaela R. disse...

Não basta um querer. Há que ter dois quereres.