Sabe o que acontece? Com esse negócio de blog, a gente escreve um monte de coisa, e mais do que quando a gente fala, acontece de cada um entender de um jeito. É engraçado isso. Mas sabe o que eu ando percebendo? Que uma das causas da minha falta de inspiração dos últimos tempos é essa. Não quero postar o que eu estou pensando ou sentindo, porque eu sei que alguém que vai ler vai interpretar de um jeito que eu sei que não é verdade, e eu não quero. E também não quero que alguém interprete de um jeito que seja verdade, porque se fosse assim, eu ia lá e falava, não escrevia por aí pra ninguém (ou todo mundo) ler... Não quero escrever pra mim e alguém pensar que escrevi pra outro destinatário. Nem mandar recado. No fim, não importa a interpretação. Não importa que pensem bem, ou que pensem mal. Importa a exposição, talvez. Porque eu sempre fui assim, rasgada, água cristalina do mar, dessas que dá pra ver o fundo e todos os corais e os peixinhos coloridos nadando, ou o lixo que a maré traz da areia. Mas às vezes eu gosto de ficar guardada numa garrafa. Bem opaca. E é um esforço danado. Porque minha matéria quase sempre sou eu. Ou o que está aqui dentro, no meio de mim.
5 comentários:
Concordo plenamente... Quando comecei a escrever em blog pensei exatamente nisso. Acabei preservando minha identidade e escrevendo o que desse na cabeça para quem quisesse ler.
Como se fossem palavras ao vento.
Deixem a Ana desembuchar! caceta.
Compartilhamos a mesma questão, mas ando me expondo talvez mais que você, mas me falta crivo, ando muito entregue, e as palavras que não digo, tenho que engolir. E não ter vazão, às vezes, é o que de pior pode ocorrer as águas. E seu texto, este, tão lindo, me cai sem qualquer julgamento ou busca de sentido nas entrelinhas, mas compartilhar/compartilhamento. Já outro alguém que lhe queira, ensimesmado e perscrutador, vai buscar e escavar mesmo que faça silêncio no seu blog, e ler do jeito que melhor cair aos seus ouvidos até o seu silêncio.
(suspiro)
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