20 de fevereiro de 2010

Às vezes eu dispenso as redes de proteção... E me estrepo!

Em tempos de pouca inspiração, muita preguiça e alguma angústia, escrevo pouco, falo pouco, sinto muito. E roubo o que acho que, de alguma forma, me ajuda a explicar.
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"O gran finale define toda relação? As parcelas singelas de dissecação do sapo enquanto príncipe. A platitude de não ir além de um breve e definitivo tchau. A gente sabe as amarras que nos prendem. A primeira missão, a de destruir todas imagens. Nenhum menor retrato que traga de volta o passado ao presente. Em matéria de esquecimento, um especialista contumaz. Apagar olhinhos e mãos de afago. Ficar a cru saboreando o indigesto, como quem engole a seco. Quanto a experiência em trapézio, nunca dispensei a rede de proteção. Sou dono de todos os meus sentimentos. Eles me pertencem, e guardo-os como posso, para ordená-los em palavras efêmeras que sabem a agridoce. Sentimental até o osso, mas que só chora em melodramas baratos e kieslowski difíceis. Quando tudo é uma fração, o que sabemos do todo? Sobre os não-ditos, o que se irá dissertar? À favor da eutanásia, porque gostar assim de prolongar a angústia? É que a gente também vicia no difícil, apegando-se no que já se esvaziou só pensando na esperança de fazer renascer o tempo que foi bom. (Quem ama, desliga os aparelhos?). Crer na vida post mortem? Na ressurreição ao terceiro dia?"

Um comentário:

Eduardo Arau disse...

Fico feliz demais que tenha gostado, e orgulho maior de marcar presença aqui no seu espaço.

Aproveito e emendo que coloquei no blog a Adriana Calcanhotto cantando Chico.


beijos